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Governo já monitorava chance de fechamento de missões diplomáticas dos EUA, mas evita falar em interferência no país

Gestão brasileira estava a par das intenções americanas e monitora, desde então, os fatores que levaram à decisão do governo de Donald Trump

Redação Jornal de Brasília

02/10/2026 18h25

embaixada dos eua

Foto: Andressa Anholete/ GettyImages

MARIANA BRASIL
FOLHAPRESS

O governo do Brasil já monitorava indícios de que os Estados Unidos poderiam suspender as atividades de seus consulados e embaixada. Os órgãos representativos anunciaram a interrupção dos trabalhos nesta sexta-feira (2). Ainda não há previsão de retomada das atividades consulares americanas no Brasil.

A gestão brasileira estava a par das intenções americanas e monitora, desde então, os fatores que levaram à decisão do governo de Donald Trump. Em nota, o governo americano justifica a suspensão por “questões de segurança”.

Apesar disso, o governo Lula (PT) evita, até o momento, tratar a questão como uma tentativa de interferência americana no Brasil a dois dias das eleições presidenciais. O primeiro turno ocorre neste domingo (4).

Nesta sexta, a Polícia Federal informou ter cumprido durante tarde dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas entre os dois países.

“Trata-se de ação preventiva adotada em investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal e fruto da cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras”, diz a corporação.

“As medidas pertinentes foram prontamente adotadas, não tendo sido verificados até o momento elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados, tampouco identificados quaisquer suspeitos de envolvimento com organizações criminosas”, informa ainda.

A embaixada da Austrália também anunciou a suspensão das atividades, acompanhando os Estados Unidos. Dentro do governo brasileiro, a informação é de que o país ainda não havia relatado nenhum indício de problemas de segurança e que a decisão foi apenas para acompanhar a deliberação americana.

Um comunicado publicado no site de turismo do governo australiano alerta seus cidadãos para possíveis ameaças terroristas e crimes violentos no Brasil. E pede ainda que as pessoas evitem as áreas próximas das repartições diplomáticas americanas.

Embora a suspensão das atividades consulares ocorra em um contexto de tensão dos EUA frente às eleições brasileiras, autoridades nacionais que acompanham o tema afirmam que ainda não há nada concreto para inferir interferências.

A postura do governo Lula (PT) daqui para a frente deve ser a de não criar alardes em torno da questão, de modo a evitar pânico considerado desnecessário antes das eleições.

Dentro do governo Lula há, por outro lado, a percepção de que existe um histórico de manipulação do tema da segurança brasileira por parte dos EUA. Em momentos anteriores da relação entre as duas nações, o governo Trump já pôs em cheque a forma como o Brasil lida com seus problemas de justiça e segurança.

Os questionamentos se evidenciaram para o governo brasileiro a partir do tarifaço americano, de 2025, em que Donald Trump criticou as tratativas do Judiciário frente ao caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, posteriormente condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Mais recentemente, os EUA direcionaram questionamentos ao processo eleitoral brasileiro. Dois funcionários do Departamento de Estado tentaram vir ao Brasil com interesses no processo democrático. Sob a perspectiva de haver interferência direta e questionamentos às urnas eletrônicas, o Itamaraty negou os vistos dos funcionários de Trump, na época.

Neste ano, o país vivenciou outros atritos diplomáticos com impactos nas embaixadas. O mais recente, o caso de rebaixamento das relações com a Argentina, após ataques do presidente Javier Milei a Lula e ao Brasil. Na época, o embaixador argentino em território brasileiro foi enviado de volta à Argentina, como parte da mudança no nível das relações entre os países.

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