As autoridades do regime de Teerã proibiram a saída do país do cineasta iraniano ganhador do leão de ouro no Festival de Berlim do ano 2000, Jafar Panahi.
“Na noite de quarta-feira quando me dispunha a viajar à França os agentes pegaram meu passaporte no aeroporto e me impediram de sair”, confirmou o próprio diretor em declarações divulgadas hoje pela agência de notícias “Ilna”.
Segundo o autor dos filmes como o “O Círculo” e o “O Balão branco”, os agentes mostraram uma ordem proibindo sua saída quando esperava na alfândega o último trâmite para entrar na área de embarque.
A ordem judicial também exigia a sua apresentação na Justiça, acrescentou.
“Em 28 de outubro tinha de estar no júri de dois festivais na Índia, no entanto, agora será impossível”, lamentou.
Embora os agentes não tenham informado a Panahi os motivos da proibição, tudo aponta para os vínculos do diretor com o movimento opositor verde, que denúncia fraude eleitoral durante a reeleição do atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
Panahi e outras três pessoas ligadas ao cinema iraniano foram detidos pela Polícia em agosto no cemitério de Behesht-e Zahra, no sul de Teerã, por participarem de um ato em homenagem às vítimas das manifestações pós-eleitorais no Irã.
Pelo menos 30 pessoas morreram (segundo números oficiais) e quase 4 mil foram presos durante os protestos contra os polêmicos resultados das eleições presidenciais realizadas no Irã de 12 de junho.
A oposição reformista eleva para 72 o número de mortos e denúncia torturas nas prisões.
Nesta mesma semana, autoridades iranianas impediram também a saída do país de uma atriz e de um roteirista iraniano convidados para participar de um seminário sobre cinema do Irã em Hollywood.