A vice-chanceler do Governo de fato de Honduras, Martha Lorena Alvarado, disse hoje que ainda não há acordo sobre a restituição do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, mas que o diálogo continua.
“Ainda não há acordo no ponto da restituição do senhor Zelaya. Não há acordo”, disse Alvarado a jornalistas após sair de uma reunião com a comissão que representa o presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, na mesa de diálogo.
O problema, segundo Alvarado, “é que eles (a delegação de Zelaya) insistem na restituição de Zelaya”, enquanto o grupo de Micheletti quer que a questão “se defina por meio da Constituição e das leis”.
“As negociações estão bem em sete pontos que acordamos. Há um último ponto não acordado”, disse a vice-chanceler de Micheletti, ao apontar que um acordo “depende da outra parte, da parte do senhor Zelaya”.
Segundo Alvarado, os membros da comissão do governante deposto saíram do hotel onde se reúnem as comissões de diálogo. “Acho que foram falar com o senhor Zelaya”, especulou.
Quando a vice-chanceler de Micheletti foi falar com a imprensa no hotel, cerca de 20 membros da resistência popular que exige a restituição de Zelaya a vaiaram e a chamaram de “golpista”.
A comissão de Micheletti continua no hotel onde o diálogo foi retomado no último dia 7, com o acompanhamento da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O ministro de Turismo de Zelaya, Ricardo Martínez, disse à imprensa que “o diálogo não foi suspenso”.
Horas antes, a vice-chanceler de Zelaya, Patricia Licona, declarou que a comissão de Micheletti tinha pedido a ampliação em três horas do prazo para a divulgação dos resultados do diálogo.
Com isso, as comissões retornariam à mesa por volta das 15h locais (17h de Brasília). Porém, Vilma Morales, integrante da comissão de Micheletti, disse abertamente à imprensa que “nenhuma ampliação” tinha sido pedida.