O governo francês recomendou nesta quarta-feira a seus cidadãos que estão na Costa do Marfim para que saiam do país africano em função do clima de tensão vivido no local após as eleições presidenciais do dia 28 de novembro, que terminaram com dois candidatos reivindicando a vitória.
O porta-voz do governo, François Baroin, afirmou após o Conselho de Ministros que a recomendação é “provisória” e “preventiva” perante a situação da Costa do Marfim, ex-colônia francesa.
Segundo a ONU, o país está à beira da guerra civil desde que o presidente em fim de mandato, Laurent Gbagbo, se negou a abandonar o poder apesar de as Nações Unidas e a comunidade internacional terem reconhecido a vitória do ex-primeiro-ministro Alassane Ouattara.
Perante essa situação, Baroin recomendou, “por precaução, a todos os franceses, que abandonem a Costa do Marfim até que a situação se normalize”.
O porta-voz do Executivo disse que “os estrangeiros não sofreram ameaçaças até agora”, mas pediu que evitem as viagens previstas ao país.
Segundo fontes diplomáticas, cerca de 15 mil franceses residem na Costa do Marfim, onde a França possui um contingente militar.
O pedido do Governo foi feito após uma reunião entre o presidente Nicolas Sarkozy, o primeiro-ministro François Fillon e os ministros de Relações Exteriores, Defesa, Orçamento e o chefe do Estado-Maior para analisar a situação do país africano.
A França havia pedido a Gbagbo para que entregasse o poder a Ouattara antes do fim da semana passada, sob ameaça de sanções contra ele e sua família.
O presidente em fim de mandato rejeitou ontem à noite a ingerência da comunidade internacional nos assuntos internos marfinenses e reivindicou que os capacetes azuis da ONU e os soldados franceses deixem a Costa do Marfim.
Após proclamar sua vitória, Gbagbo propôs a criação de um comitê internacional para analisar a situação e pediu a dissolução do governo alternativo formado por Ouattara.
Já o ex-primeiro-ministro, reconhecido pela comunidade internacional como vencedor do pleito, fez um apelo para desobediência civil a Gbagbo.