A Casa Branca e o Congresso dos Estados Unidos voltaram a mostrar opiniões contrárias sobre a busca de uma solução para a guerra no Iraque, thumb depois que o presidente George W. Bush anunciou que vetará o projeto da Câmara que propõe a retirada militar até abril de 2008.
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou hoje que o Governo Bush precisa de mais dois meses para encontrar uma “forma coerente de ir adiante” no Iraque. Rice fez um pronunciamento nas principais redes de televisão para pedir paciência aos parlamentares. Ela também pediu para que não se tomem decisões precipitadas, como o retorno das tropas antes da divulgação dos resultados definitivos do Plano para Bagdá, implantado em janeiro deste ano.
Em declarações à ABC”, Rice afirmou que, por enquanto, o Governo está “no centro da nova estratégia”. A secretária de Estado falou após a aprovação de uma medida na Câmara de Representantes exigindo a retirada das tropas do Iraque até 1º de abril de 2008. Foram 223 votos a favor e 201 contra.
A medida foi aprovada apesar das declarações de Bush de que vetará qualquer projeto de prazo para a permanência militar no Iraque. A votação da Câmara aconteceu no mesmo dia em que a Casa Branca apresentou um relatório preliminar sobre a situação da guerra no Iraque. O documento concluiu que as conquistas feitas até agora foram limitadas.
Das 18 metas que o Governo do Iraque tinha que cumprir, só oito áreas atingiram o objetivo. Além disso, ainda há muito a ser feito em outras oito áreas. Nas duas áreas restantes, os resultados não permitiram conclusões.
Após reconhecer que o relatório tem caráter provisório, Bush afirmou que vai esperar até setembro para tomar uma decisão sobre sua estratégia nesse país. Nesse mês, o general David Petraeus, comandante das tropas americanas no Iraque, apresentará o relatório definitivo. Ele deve detalhar a evolução e o efeito do aumento das tropas, que foi decidido por Bush em janeiro. O presidente ordenou o aumento das tropas para 159 mil soldados, além dos 130 mil já enviados para combater a violência em Bagdá.
Em entrevista coletiva hoje, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Peter Pace, afirmaram que qualquer decisão sobre a retirada das tropas será feita “segundo as condições no campo de batalha”.
“Uma retirada desta magnitude é uma tarefa gigantesca”, disse Gates. “E não se trata só do que possa ocorrer (com o relatório de Petraeus) em setembro, mas de aspectos como a regra de segurança com os iraquianos a longo prazo”.
Segundo o general Pace, o sistema de logística americano no Iraque “permite a adição ou a subtração de uma brigada por mês”. Cada uma delas tem entre 3 mil e 5 mil soldados. Pace também afirmou que atualmente cerca de 6 mil soldados americanos “estão dedicados à tarefa de treinar as tropas iraquianas”.
O próprio presidente participou hoje de uma teleconferência com as equipes de reconstrução das províncias iraquianas e outros chefes militares e políticos do Iraque, na companhia de Rice e do vice-presidente, Dick Cheney, entre outros.
“O que ocorre no Iraque é importante para os Estados Unidos. Um Iraque violento e cáotico afeta a nossa segurança. Um Iraque que possa autogovernar-se e proporcionar serviços básicos ao povo pode ser um aliado na guerra contra o terrorismo. Isso significará dizer que todos aceitamos um grande desafio e colocamos a primeira pedra da paz”, disse o presidente.
Na quarta-feira, a Casa Branca lançou uma ofensiva para convencer senadores republicanos a continuar com o apoio à atual estratégia no Iraque e evitar que eles mudem de idéia em relação à linha oficial. O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, reuniu-se com vários senadores republicanos no Capitólio, enquanto a secretária de Estado dos EUA fez o mesmo por telefone.
No entanto, a iniciativa parece não ter surtido o efeito desejado. Hoje, os senadores republicanos Richard Lugar e John Warner apresentaram um projeto de lei que prevê a redução drástica dos alvos das missões dos soldados americanos no Iraque até meados de outubro.
A medida diz que a estratégia americana deve ajustar-se à realidade das lutas entre as comunidades locais. Para isso, o presidente deve desenhar uma estratégia que concentre as missões americanas nas regiões de fronteiras.
Segundo o projeto de lei, é “improvável que a meta de um Iraque unificado, pluralista e democrático, que possa proteger-se e prosperar economicamente, seja alcançada a curto prazo”. Até hoje já morreram 3.611 soldados americanos no Iraque, segundo os últimos números divulgados pelo Departamento de Defesa.