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Mundo

Governo do Chile faz proposta energética à Bolívia

Arquivo Geral

30/07/2007 0h00

O Governo do Chile propôs nesta segunda-feira à Bolívia estudar projetos de integração energética, symptoms durante uma reunião de ministros na qual não foi abordado o tema da demanda marítima boliviana.

O encontro, realizado em La Paz, reuniu os ministros de Energia do Chile, Marcelo Tokman, e de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas. Esta é a primeira vez em que ambos os Governos iniciam uma série de reuniões bilaterais sobre integração e cooperação energética regional.

A visita de Tokman acontece em um momento de crise energética no Chile, já que a Argentina passou a aplicar cortes no fornecimento de gás, que foram intensificados com a chegada do inverno.

Em entrevista coletiva, Villegas e Tokman explicaram que a proposta do Chile consiste em três iniciativas concretas, que serão analisadas pelo Governo do presidente boliviano, Evo Morales.

Na primeira delas, sugere-se a participação boliviana na conexão elétrica realizada por Colômbia, Chile, Equador e Peru, que conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Na segunda, o Chile propôs o estabelecimento de uma relação entre sua Empresa Nacional de Petróleo (Enap) e a Empresa Nacional de Eletricidade (Ende) da Bolívia, em projetos de prospecção e exploração geotérmica no lado boliviano da fronteira.

Já a terceira iniciativa consiste na ligação da Enap com a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) “para um provável programa de cooperação técnica” em hidrocarbonetos.

O setor petrolífero foi nacionalizado no ano passado por Morales, que anunciou diversas vezes que “continuaria aplicando a política em outras áreas da economia nacional”.Tokman disse que a política de longo prazo de seu país considera “o potencial e a complementaridade da região”.

Os ministros foram enfáticos ao afirmarem que a reunião não discutiu o tema do gás natural, assunto que na Bolívia está vinculado à demanda marítima. Em 2004, a população aprovou, em um referendo, a fórmula “gás por mar”, pela qual o gás natural seria usado como moeda de troca na reivindicação boliviana de uma saída para o litoral.

Um ano antes, em 2003, uma onda de protestos na Bolívia havia impedido que um consórcio liderado pela hispano-argentina Repsol YPF concretizasse a venda de gás para os Estados Unidos por portos do Chile, país ao qual os bolivianos reivindicam a saída soberana para o Pacífico perdida no século XIX.

As manifestações foram reprimidas pelo Governo de Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-2003). As ações do Governo deixaram mais de 60 mortos, o que provocou a renúncia do então presidente e sua fuga para os Estados Unidos com dois ministros.

O ministro Villegas afirmou que o tema do “gás natural não foi objeto de análise”, pois o encontro se concentrou nas três propostas do Chile.

No entanto, disse que a Bolívia prevê uma “agenda aberta” para futuras reuniões, e que “tem uma postura ampla para escutar as propostas do Governo chileno”.

“Da mesma maneira, a agenda marítima não foi abordada no encontro”, acrescentou Villegas, ao explicar que isso diz respeito às Chancelarias, que prevêem conversas bilaterais nas quais estão previstos 13 pontos, dentre os quais está incluída a controvérsia histórica.

Segundo Tokman, as iniciativas propostas hoje não se relacionam com a crise energética em seu país.

“Em nenhum momento durante a reunião foi abordado o tema do gás natural”, afirmou.

Também participaram do encontro o presidente da Enap, Enrique Dávila, e o da YPFB, Guillermo Aruquipa.

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