O governo de extrema direita de José Antonio Kast voltou atrás em sua intenção de limitar a gratuidade nas universidades do Chile nesta sexta-feira (17), um dia após anunciar a medida como parte de um megaprojeto legislativo para impulsionar a economia.
O governo disse na quinta-feira que o pacote incluiria uma norma que limitaria o acesso ao ensino superior gratuito a 12 anos da conclusão do ensino médio, com o objetivo de reduzir o gasto fiscal.
Um dia depois, após uma reunião entre ministros, o governo recuou. “Vai haver gratuidade para os maiores de 30 anos”, disse nesta sexta-feira em coletiva de imprensa José García Ruminot, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Sessenta por cento da população com menor renda têm direito a estudar gratuitamente nas universidades públicas e privadas vinculadas a este programa.
“Isto é muito importante para as mulheres, porque (…) por causa da maternidade elas adiam os estudos, de tal forma que, em função de todas essas considerações”, o acesso gratuito às universidades não será restringido, acrescentou.
A medida beneficia hoje cerca de 615 mil estudantes, quase a metade das matrículas do ensino superior, segundo o Ministério da Educação.
Semanas atrás, quando o governo dizia que avaliava o corte, milhares de estudantes protestaram nas ruas.
Na noite de quarta-feira, Kast anunciou uma reforma legislativa com mais de 40 medidas, entre elas uma redução significativa do imposto sobre as empresas e a diminuição dos gastos públicos.
Segundo Kast, a meta é que, ao término de seu mandato, a economia cresça em torno de 4% ao ano, frente aos 2,5% registrados em 2025
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