O Governo de fato de Honduras pediu hoje à Organização dos Estados Americanos (OEA) e aos Estados Unidos para respeitarem os compromissos adotados quando assinou o Acordo Tegucigalpa-San José com o presidente deposto, Manuel Zelaya, que na sexta-feira passada deu por fracassado o pacto.
“É necessário lembrar que várias vezes, durante o processo de diálogo, tanto o secretário-geral (da OEA), José Miguel Insulza, como o Governo dos Estados Unidos expressaram que ambos respeitariam qualquer acordo ao qual chegassem as partes”, indicou o Executivo dirigido por Roberto Micheletti em comunicado.
Zelaya anunciou que não reconheceria a legitimidade das eleições ao dar por rompido o pacto depois que Micheletti anunciou a formação unilateral do Governo de unidade previsto pelo tratado.
Em seu boletim, o Governo de fato insistiu em que pretende “respeitar letra por letra, ponto por ponto, o acordo” e acusou Zelaya de se retirar do mesmo “unilateralmente”.
Reiterou também seu convite para este “retomar o marco” do pacto “sem buscar pretextos para romper um acordo sobre cujo conteúdo têm dúvidas após havê-lo assinado”.
Igualmente, acusou a comunidade internacional, que se posicionou majoritariamente do lado do governante derrubado, de “encorajar que uma das partes, unilateralmente, se disponha a romper um acordo que assinou sob a tutela da OEA”.
Por último, criticou a Comissão de Verificação, da qual fazem parte em representação do organismo interamericano, o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a ministra de Trabalho americana, Hilda Solís, por “comemorarem que uma das partes se retire unilateralmente”.