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Governo da Tunísia quer ministros de Ben Ali fora e permanência de Ghannouchi

Arquivo Geral

26/01/2011 17h55

Os ministros do antigo regime sairão dos postos importantes do Governo de transição tunisiano, mas o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, permanecerá no cargo, segundo a proposta praticamente definitiva do presidente interino do país, Fouad Mebazaa, à qual a Agência Efe teve acesso.

O presidente elimina do Executivo todos os ministros de peso do presidente deposto Ben Ali, como o de Interior, Ahmed Fria; o de Exteriores, Kamel Morjane; o de Defesa, Rida Grira; o de Finanças, Rida Chalgum; e o de Justiça, Lazar Karui.

No entanto, mantém Ghannouchi e dois ministros de menor peso que pertenciam ao antigo regime – o Reunião Constitucional Democrática (RCD) – o de Indústria, Hafif Chalbi e o de Planejamento e Cooperação Internacional, Nouri Yuini.

A mudança em relação o contestado Governo é fundamental, embora ainda se desconheça o efeito que pode provocar nos protestos populares que há dias exigem a saída de todos os ministros de Ben Ali do Executivo, incluindo o chefe do Gabinete.

Ghannouchi ocupou o cargo de primeiro-ministro durante os últimos 12 anos com o anterior presidente, mas não se misturou na corrupção que corroia o regime e é considerado, em geral, um bom gestor, mais tecnocrata que político.

Fontes próximas às negociações indicaram à EFE que a formação do novo Governo está fechada, mas que seu anúncio não foi feito nesta quarta-feira, como estava previsto, porque o presidente deseja contar com a aceitação formal da oposição, especialmente da União Geral de Trabalhadores Tunisianos (UGTT).

A direção do poderoso sindicato UGTT, que desempenhou um papel fundamental na organização das revoltas que forçaram a saída de Ben Ali, pediu ao presidente que atrasasse o anúncio do novo Governo até a reunião que será realizada nesta quinta-feira.

A oposição democrática no país não estaria reticente a aceitar Ghannouchi à frente de um Governo sem os principais ministros do antigo regime, mas exige que seja criado um denominado “Conselho Superior de Defesa da Revolução”, encarregado de pilotar a transição até a convocação de eleições livres.

Esse “comitê de sábios” seria constituído por uma espécie de autoridade moral que supervisionaria o respeito das conquistas democráticas e a clareza do processo eleitoral.

Entre os nomes mencionados para presidir o Conselho estão o de Ahmed Mestiri, uma personalidade de considerável prestígio entre a elite política do país e que não suscitaria a rejeição popular.

Mestiri, de 85 anos, mas em plenas faculdades políticas, foi ministro com o primeiro presidente da Tunísia independente, Habib Bourguiba, mas abandonou o então partido no poder, o Néon Destur, por descordar com sua atitude autoritária.

Enquanto isso, as manifestações que exigem a saída do Executivo de todos os ministros do antigo regime, incluindo Ghannouchi, continuaram nesta quarta-feira por todo o país.

A cidade de Sfax, a segunda da Tunísia e considerada a capital econômica e industrial do país, viveu nesta quarta-feira uma jornada de greve geral e cerca de 40 mil pessoas se manifestaram pedindo a renúncia do Governo.

A Justiça tunisiana cursou nesta quarta-feira uma ordem de detenção internacional contra Ben Ali, sua mulher, Leila Trabelsi, e vários membros de sua família, por “aquisição ilegal de bens móveis e imóveis”, além de “transferência ilícita de divisas ao exterior”.

O conhecido como “clã dos Trabelsi” era detestado pela grande maioria dos tunisianos, que o acusa de ter saqueado durante décadas as riquezas do país.

Ben Ali se encontra na Arábia Saudita desde 14 de janeiro, mas diversas fontes indicaram à EFE que o líder da Líbia, Muammar al-Gaddafi, mantém há dias negociações com as autoridades sauditas para sua possível transferência ao país norte-africano, um dos dois grandes e poderosos vizinhos da pequena Tunísia, junto à Argélia.

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