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Mundo

Governo da Somália e facções opositoras selam trégua

Arquivo Geral

09/06/2008 0h00

O Governo de transição somali e várias facções da Aliança para a Nova Libertação da Somália (ANLS) chegaram hoje a um acordo de cessar-fogo, dosage graças à mediação da ONU, que reuniu representantes das duas partes na vizinha República do Djibuti.

As conversas tiveram início no último dia 2, quando membros do Conselho de Segurança (CS) da ONU visitaram várias áreas de conflito na África.

Os membros do CS tentaram incluir nas negociações os guerrilheiros do grupo Al Shabab, ligado à Al Qaeda, mas os rebeldes se recusaram a participar da iniciativa.

Segundo o representante do secretário-geral da ONU para a Somália, Amehdou Ould Abdallah, “a trégua alcançada hoje será seguida por outros acordos”.

Para Abdallah, “este é um bom começo e as partes devem respeitar agora a trégua se querem avançar” rumo a um armistício total.

Os signatários do pacto foram o primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro somalis, Nour Hassan Hussein e Abdi Salam, respectivamente, e o xeque Sheikh Sharif Ahmed e o antigo presidente do Parlamento somali, Sharif Hassan Sheikh Aden, em representação da ANLS, que também é dominada por facções islâmicas fundamentalistas.

Hussein, que foi a Djibuti acompanhado de uma delegação de vinte membros, disse após a assinatura da trégua que “este acordo é uma medida de alívio para uma nação que está morrendo”.

“Esta é uma boa oportunidade para que os somalis ponham fim às atrocidades em nosso país”, disse Sheikh Ahmed.

“Devemos fazer todo o possível para que esta trégua entre em vigor, pois nosso povo está morrendo. Por nossa parte, estamos satisfeitos com o acordo e o respeitaremos”, afirmou.

A ONU havia tentado uma primeira aproximação entre as facções em Djibuti em maio, mas a desconfiança mútua das partes acabou com essa etapa das conversas.

A maior dificuldade para conseguir um acordo foi até agora a presença de tropas da Etiópia em território somali em apoio ao do Governo de transição. O problema foi resolvido com uma cláusula que indica que os soldados etíopes sairão da Somália em um prazo máximo de 120 dias a partir da data de aplicação do pacto.

No entanto, a retirada das tropas etíopes estará condicionada, segundo outra cláusula, a uma substituição delas por uma força de interposição da ONU.

“As forças etíopes deverão sair da Somália em 120 dias, mas só se as forças de paz das

Nações Unidas tomarem seu lugar”, assinala o documento.

Foi acordada também a formação de um comitê conjunto de quinze membros, liderado por um representante da ONU, provavelmente Amehdou Ould Abdallah, para supervisionar a execução do acordo de trégua e solicitar ao CS o envio de uma força de paz à Somália.

“Isto não funcionará na Somália, pois os membros da Aliança que assinaram o acordo em Djibuti violaram a Carta da organização e nós seguiremos lutando contra as forças de ocupação”, disse Zakariya Haji Mohamoud, um alto membro da ANLS.

Já o Al-Shabab al-Mujahideen, grupo fundamentalista mais militante da Somália e ramificação armada da antiga União das Cortes Islâmicas da Somália, classificou o acordo de trégua de “canto de sereias”.

“Não obedeceremos o cessar-fogo a menos que os etíopes se retirem; este pacto é como o canto das sereias, uma falsidade”, disse Sheikh Mukhtar Robow Ali, conhecido também como “Abu Mansor”, porta-voz oficial do Al-Shabab.



 

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