O Governo colombiano aceitou a fórmula apresentada hoje pelo presidente da Venezuela, see Hugo Chávez, para a libertação de três reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Além disso, como Chávez havia sugerido, o presidente Álvaro Uribe designou o alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, como o representante do país na missão aérea humanitária que se encarregará de recolher os libertados pelas Farc.
O Governo da Colômbia autoriza a missão humanitária nos termos de sua carta e delega Luis Carlos Restrepo como seu representante, disse o ministro das Relações Exteriores colombiano, Fernando Araújo, encarregado de ler a resposta oficial de Uribe à proposta de Chávez.
O governante colombiano também agradeceu Chávez por seu interesse na libertação da ex-candidata à Vice-presidência Clara Rojas, de seu filho Emmanuel e da ex-deputada Consuelo González de Perdomo, que a gerrilha disse que estaria disposta a soltar, segundo um comunicado divulgado no último dia 18.
Antes do anúncio, feito na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá, o presidente colombiano analisou a proposta de Chávez com Restrepo e o ministro do Interior e Justiça, Carlos Holguín.
Os três avaliaram a fundo o documento enviado nesta quarta-feira pelo governante venezuelano, no qual é solicitado ao Governo da Colômbia que aceite os termos da operação para a soltura dos três seqüestrados.
Uribe, que está em seu sítio, numa zona rural próxima à cidade de Montería, no noroeste do país, também consultou outros membros do seu gabinete, comandantes militares e assessores.
Na carta enviada ao colega colombiano, Chávez pede autorização para que aeronaves venezuelanas possam entrar na Colômbia para recolher os seqüestrados libertados pelas Farc.
Em sua resposta, o Governo da Colômbia diz que, por razões constitucionais, as aeronaves que participarem da operação terão que humanitária usar os emblemas da Cruz Vermelha Internacional (CICV).
A proposta de Chávez foi anunciada numa entrevista coletiva em Caracas. Ao mesmo tempo, seu vice-chanceler para a América Latina e o Caribe, Rodolfo Sanz, entregava a Araújo um documento descritivo da fórmula.
Mais cedo, o presidente venezuelano tinha dito que se Governo colombiano autorizasse a operação, esta poderia ter início amanhã de manhã, de modo que, ao anoitecer, os reféns já estariam em Caracas.
Na entrevista, Chávez também declarou ter falado por telefone com os presidentes dos países que enviarão representantes para uma comissão que acompanhará todo o processo, os quais, sem exceção, apoiaram a iniciativa.
Sobre a operação, o governante venezuelano explicou que existem algumas opções de locais dos quais as aeronaves venezuelanas decolarão. Mas, segundo disse, a primeira fase da operação terminará no aeroporto da cidade colombiana de Villavicencio, capital do departamento de Meta.
No terminal aéreo, ficariam pousados pequenos aviões Falcon 90, mas helicópteros equipados com tanques de combustível suplementares partiriam até o ponto de encontro acertado com as Farc, que é secreto.
Chávez também disse que, antes de os helicópteros voltarem a levantar vôo, terão que dar tempo para os guerrilheiros se embrenharem na mata.
Depois que os reféns já estiverem nos helicópteros, estes poderão voltar para Villavicencio ou seguir diretamente para a Venezuela, o que dependerá do local em que acontecerá a entrega.
Segundo as Farc, a entrega dos reféns será feita para compensar Chávez pelo fato de Uribe ter suspendido seu trabalho de mediador numa negociação aberta com a guerrilha no mês de agosto.
Atualizada às 18h54.