Menu
Mundo

Governo da Bolívia chega a acordo com mineiros, mas outros protestos mantêm La Paz bloqueada

Negociação ocorreu após manifestações violentas no centro da capital; bloqueios em rodovias continuam e país enfrenta crise econômica e alta da inflação

Redação Jornal de Brasília

15/05/2026 18h03

Foto: Aizar Raldes/AFP

Foto: Aizar Raldes/AFP

O governo da Bolívia chegou a um acordo nesta sexta-feira (15) com milhares de mineiros que entraram em confronto com a polícia em um protesto que paralisou o centro de La Paz, cujas principais rodovias de acesso continuam bloqueadas por outros trabalhadores.

A negociação se estendeu por horas até a madrugada. Na quinta-feira, a polícia impediu a entrada dos manifestantes na praça de armas, onde ficam o Palácio do Governo e o Congresso, com gás lacrimogêneo, enquanto os mineiros lançavam pedras e explosivos com estilingues, constatou a AFP.

Eles exigiam a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, no poder desde novembro, por considerarem que ele não havia atendido suas reivindicações. Pedem abastecimento de combustíveis, ampliação de áreas de mineração e fornecimento de explosivos para trabalhar, entre outras demandas.

“Tivemos uma reunião muito longa, quase 12 horas conversando”, disse nesta sexta-feira José Gabriel Espinoza, ministro da Economia, à imprensa. “Conseguimos vários acordos”, acrescentou sem dar detalhes.

Desde o início de maio, protestos de diferentes setores pressionam o governo de Rodrigo Paz.

Operários, camponeses, professores, indígenas e transportadores ainda se manifestam em ruas e rodovias com reivindicações como aumentos salariais, estabilização da economia e não privatização de empresas públicas.

Nesta sexta-feira, são registrados ao menos 26 pontos de bloqueio em estradas, a maioria nos acessos a La Paz, segundo a estatal Administradora Boliviana de Carreteras, o que impede o abastecimento regular de alimentos da cidade. Os preços de alguns produtos dispararam nos mercados.

O governo mobilizou uma “ponte aérea” desde domingo para contornar os bloqueios e levar carnes e vegetais à cidade andina por meio de voos. Trata-se de uma resposta comum do país quando surgem esse tipo de medidas de pressão.

Desta vez, o governo de Javier Milei prestará apoio. “Queremos agradecer ao governo do nosso país amigo, a Argentina, que forneceu dois aviões Hércules para reforçar a ponte aérea e evitar a falta de alimentos nesta cidade”, disse à imprensa nesta sexta-feira José Luis Gálvez, porta-voz do gabinete presidencial.

A Bolívia atravessa sua pior crise econômica em 40 anos devido a uma aguda escassez de dólares. A inflação acumulada em 12 meses foi de 14% em abril.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado