O Governo colombiano reiterou hoje que não fará concessões às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em nome de um acordo humanitário que permita a libertação dos seqüestrados, malady como reivindicam os reféns, health os familiares deles e outros setores da sociedade.
O presidente colombiano, price Álvaro Uribe, ressaltou que não cederá nem na desmilitarização de uma área, como os guerrilheiros reivindicam, nem na libertação de rebeldes presos, porque eles continuariam a “assassinar e seqüestrar”.
“É hora de ter firmeza. Cada vez que se hesita diante das Farc, dá-se uma vantagem para que avancem em seu terrorismo. A única linguagem que estes criminosos entendem é a da firmeza”, insistiu Uribe, em entrevistas a diferentes emissoras de rádio.
Sete dos militares e policiais que são reféns das Farc há mais tempo – alguns deles, há quase dez anos -, advertiram, em um vídeo divulgado na terça-feira à noite, sobre os riscos que correm, caso seja efetuado um resgate militar. Eles pedem um acordo humanitário para sua libertação.
A data da gravação do vídeo é desconhecida. Apesar de o vídeo parecer aos familiares dos seqüestrados um sinal promissor, para o Governo francês, não é prova de que os reféns ainda estejam vivos.
“Esse vídeo, que mostra um depoimento de vários meses atrás, não pode substituir a apresentação de uma prova de vida de Ingrid Betancourt (seqüestrada pelas Farc em fevereiro de 2002), o que continuamos reivindicando”, afirmou hoje, em Paris, a porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores francês, Pascale Andréadi.
Ingrid Betancourt, que na época do seqüestro era candidata à Presidência colombiana, também tem nacionalidade francesa. Por esta razão, Paris se envolveu nas campanhas para sua libertação.
As ações para soltar todos os seqüestrados serão intensificadas amanhã, com uma grande mobilização nacional, que será promovida por governadores, prefeitos, sindicatos, associações patronais, sociais e o próprio Governo. As manifestações devem levar às ruas milhões de colombianos.
Os protestos contra os seqüestros foram convocados em todo o país por causa da morte, em cativeiro, de 11 dos 12 deputados da Assembléia Departamental do Valle del Cauca, no sudoeste do país. Eles tinham sido seqüestrados pelas Farc no dia 11 de abril de 2002.
Na quinta-feira, o grupo informou que os deputados morreram no dia 18 de junho, em um “fogo cruzado” com “um grupo militar não identificado”. A versão não foi aceita pelo Governo e por diferentes setores da sociedade colombiana, que acusam as Farc de ter assassinado os reféns.
Os deputados faziam parte do grupo de 56 pessoas, entre políticos, militares, policiais e três americanos, que as Farc querem trocar por 500 guerrilheiros presos.
Uribe disse hoje que organizações internacionais tentam localizar e entregar às famílias os corpos dos legisladores. No entanto, acrescentou que não garante que as ações terão resultado, porque dependem, “em boa parte, do grupo criminoso das Farc”, que não revelou o lugar onde os deputados morreram.
O presidente, em declarações à imprensa, reafirmou seu empenho em acabar com o “pesadelo dos terroristas” antes de terminar seu mandato, em 2010. Ele advertiu, porém, que para atingir este objetivo é necessária “uma ferrenha vontade nacional”.
Uribe, que completa 55 anos hoje, pediu à Espanha, à França e, especialmente, à Suíça – países que seriam mediadores em uma possível troca humanitária -, que não “coloquem em pé de igualdade um Estado respeitável, democrático, e os criminosos” das Farc.
O Governo apoiou a ajuda internacional para um acordo, mas “não a substituição do Estado colombiano”.
Enquanto isso, o professor Gustavo Moncayo, pai de um dos militares seqüestrados há mais de nove anos pelas Farc, reiniciou hoje, no município de Palmira, no sul, sua caminhada de protesto em direção a Bogotá. Agora, ele está fortalecido e reanimado, depois de ter visto o filho no vídeo divulgado na terça-feira.
Moncayo, que se transformou em símbolo da campanha pela libertação dos reféns, disse que continuará lutando e insistindo no acordo humanitário.
“Vou seguir caminhando com todo o amor e o desejo para que eles (os seqüestrados) possam retornar sãos e salvos”, disse.