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Mundo

Governo chinês tenta controlar internet, mas usuários acessam "páginas-espelho"

Arquivo Geral

04/05/2010 10h52

O controle dos conteúdos veiculados na internet é um dos principais desafios do governo chinês. O país tem hoje 400 milhões de usuários da rede mundial de computadores, segundo dados do próprio governo. É a maior população de internautas do mundo. Uma verdadeira multidão que convive com a proibição de acessar páginas de relacionamento e de troca de vídeos como o YouTube, Facebook e Twitter.

A população, no entanto, ignora a proibição do governo e utiliza as chamadas “páginas-espelho”, ou seja, provedores de fachada que acessam esses conteúdos bloqueados. “Eu não deixo de acessar. Páginas-espelho existem para isso”, contou um internauta chinês que morou em São Paulo e prefere não se identificar.

Não é comum encontrar em Xangai jovens que saibam sobre o Massacre da Praça da Paz Celestial, por exemplo. Na China é impossível encontrar em chinês qualquer arquivo da rede que fale sobre o assunto. Até a enciclopédia virtual Wikipédia apresenta erro na página quando se digita o vocábulo chinês tiananmen, que significa paz celestial.

O massacre ocorreu em junho de 1989 e a Cruz Vermelha estima a morte de 2,6 mil pessoas, das cerca de 100 mil que participavam das caminhadas pacíficas pelas ruas de Pequim, capital da China. Estudantes e intelectuais protestavam contra o governo comunista, considerado por eles repressivo e corrupto. Trabalhadores da Pequim acreditavam que as reformas econômicas na China haviam sido lentas e que a inflação e o desemprego estavam dificultando a vida. O Exército Popular de Libertação pôs fim à mobilização.

A preocupação do governo com questão é tão grande que a China revisou, na semana passada, a lei que define o que é segredo de Estado. O governo incluiu nessa lei poderes sobre as telecomunicações e comunicações online. A lei também define o que é segredo comercial para as empresas estatais e exige que provedores de internet e de telecomunicações colaborem nas investigações de “segredos” revelados em suas redes.

Mesmo diante de tanta tentativa de controle, a quantidade de sites domésticos chineses cresceu. De acordo com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do país, no final de 2009 havia 3,23 milhões, 12,3% a mais do que no ano anterior.

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