As empresas da região chinesa de Xinjiang deverão contratar a mais habitantes locais – incluídos os de minorias étnicas como os uigures -, segundo uma nova ordem governamental divulgada pela agência oficial “Xinhua”.
A ordem se produz após três meses de instabilidade e violentas revoltas na região, onde os uigures denunciam discriminação e asseguram que os imigrantes da maioria chinesa monopolizam os postos de trabalho e as melhores oportunidades.
A nova política se aplicará a todas as companhias registradas em Xinjiang ou a aquelas que tenham projetos na região, e exige que pelo menos a metade dos empregados sejam “locais”, sem especificar a etnia mas destacando que os negócios devem contratar mais gente dessas minorias.
Os novos contratados sob esta política receberão além disso vantagens fiscais.
A agência oficial destaca que o panorama do mercado de trabalho na região de Xinjiang – rica em recursos naturais como petróleo ou gás natural – é “escuro” devido à crise financeira, “especialmente para as minorias étnicas”.
Dia 5 de julho, manifestações de uigures reivindicando justiça por um incidente ocorrido contra membros de sua etnia em Cantão (sul da China) acabou em violentos enfrentamentos étnicos nos quais morreram cerca de 200 pessoas, a maioria han, segundo o número das autoridades chinesas.
A este incidente lhe seguiram, nos meses posteriores, outros esporádicos atos de violência, em alguns casos de chineses han contra uigures em represália e nos quais também morreram civis.
Embora as revoltas se originaram em um caso pontual, os analistas opinam que a situação de discriminação que durante décadas viveram os uigures, assim como as migrações maciças de han promovidas por Pequim durante décadas, foram a origem da violência.