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Governo argentino compensará agricultores, mas não volta atrás com impostos

Arquivo Geral

31/03/2008 0h00

O Governo argentino anunciou hoje que compensará os pequenos e médios produtores agrários, web mas ratificou que não voltará atrás com o novo esquema de impostos para as exportações de grãos que gerou a revolta dos agricultores, approved mobilizados há 19 dias.

O ministro da Economia, prescription Martín Lousteau, disse que o governo restituirá os agricultores, que produzem até 500 toneladas anuais de soja ou girassol, a diferença entre o valor do imposto anterior e o do novo, o que significa que, na prática, cobrarão a taxa que vigorava até 11 de março, antes de explodir o conflito.

A medida beneficiará 80% dos produtores de soja e girassol do país, um total de 62.500 agricultores proprietários de campos de até 150 mil hectares e responsáveis por 20% da produção dessas oleaginosas.

Lousteau anunciou, além disso, que o governo subsidiará cerca de 50% do custo do transporte das colheitas que são pagas pelos agricultores do norte do país até os centros de embarque de exportações.

Em um ato na sede do Executivo, a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, disse que gostaria de ter discutido com o campo as medidas que foram adotadas unilateralmente, pois as negociações com as quatro entidades que representam o setor estão suspensas desde sexta-feira.

Ao mesmo tempo, os bloqueios de estradas persistem em vários pontos do país.

Cristina destacou que os agricultores “ficam agora com a mesma rentabilidade que antes de 11 de março”, quando os impostos às exportações aumentaram, “e em uma melhor posição que antes dessa resolução tendo em vista os benefícios adicionais, como o subsídio aos fretes, a bonificação de taxas a créditos para o setor de laticínios e a reabertura das exportações de trigo”.

A presidente pediu aos agricultores que mantêm os bloqueios nas estradas que se manifestem liberando o caminho para permitir a passagem de caminhões com alimentos e matérias-primas para as indústrias com o objetivo de evitar o desabastecimento.

“Mais uma vez e todas as vezes que seja necessário, lhes peço, por favor, que deixem os caminhões transitarem e se sintam como parte de um país e não como proprietários do país”, afirmou.

Após destacar que os grandes produtores ficam isentos das compensações, Cristina pediu aos argentinos para “refletirem sobre a concentração da propriedade da terra e da produção agrária, que caso continue, trará severos problemas”.

A greve comercial e os bloqueios iniciaram no dia 13 de março em protesto pela decisão do Governo de elevar fortemente os impostos às exportações de soja e girassol e de reduzir levemente os encargos para o caso do milho e do trigo.

O Governo justificou essa medida na necessidade de impedir que a forte alta dos preços internacionais dos grãos pressionassem em demasia os valores internos e de desencorajar a expansão da soja, cujo cultivo cresce em detrimento de outros que fazem parte da base de alimentação dos argentinos.

Após escutar os anúncios de hoje, as cúpula das quatro entidades que representam o campo se mostraram insatisfeitas com as medidas, que consideraram “insuficientes” e “duvidosas”, apesar de reconheceram um “certo alívio” para os pequenos produtores.

As organizações ratificaram que a greve será mantida até quarta-feira, garantiram o fornecimento de laticínios e indicaram que consultarão suas bases sobre as ações a seguir, acrescentando ainda que por enquanto manterão os cerca de 400 piquetes que impedem a passagem nas estradas.

Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, assinalou que “a primeira vista” as medidas do Governo “não modificam a essência do conflito”.

“Por mais que a presidente argentina diga que a medida está dentro do marco da legalidade, o anunciado hoje não tem a suficiente generosidade que o campo esperava”, destacou.

Para Mario Llambías, líder das Confederações Rurais Argentinas, o Governo “não entende a raiz do problema”.

“Eu acho que a presidente Cristina está mal assessorada. A discussão vai além da soja”, ressaltou concordando com Luciano Miguens, presidente da Sociedade Rural Argentina, que considerou que o “campo se fortaleceu” com este conflito pelo apoio que recebeu do “cidadão comum”.

O Governo argentino, no entanto, já se mostrou disposto a dissolver com as forças de segurança os piquete que ocupam as estradas.

Nos arredores da cidade de Gualeguaychú (a 270 quilômetros ao norte de Buenos Aires), epicentro do protesto mais radical, a gendarmaria (policial de fronteira) resistiu hoje com os manifestantes para desobstruir a passagem.

O governista Frente para a Vitória, sindicatos e agrupamentos de direitos humanos convocaram para esta terça-feira uma passeata e um ato na Praça de Maio de Buenos Aires, frente à sede do Executivo argentino, para a “convivência, o diálogo e a defesa do Governo nacional e popular”.

Durante a semana passada, o passeio público foi palco de protestos contra a presidente, organizados por cidadãos que apóiam a greve do campo e foram desalojados com violência por manifestantes favoráveis ao Governo.

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