O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, disse hoje que seu Governo deve retirar a garantia implícita de que recuperará as grandes entidades financeiras se estas entrarem em problemas, com a criação de um sistema para desmantelá-las.
No discurso diante do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, divulgado pelo Departamento do Tesouro, Geithner defendeu mudanças na norma que darão mais poder ao Governo para intervir e vender ou reestruturar entidades à beira da quebra.
“Nenhum sistema financeiro pode operar eficientemente se as instituições financeiras e os investidores assumem que o Governo os protegerá das consequências do fracasso”, disse o secretário.
Geithner destacou que, nas últimas décadas, essas entidades cresceram e acumularam mais dívida, porque se beneficiam da percepção de que o Governo não pode permitir que afundem.
A Administração de George W. Bush tentou eliminar essa impressão, ao permitir a quebra do banco de investimento Lehman Brothers em setembro de 2008, mas a derrocada dessa entidade abalou o sistema financeiro em nível internacional.
Essa experiência, paradoxalmente, fortaleceu a crença nos mercados de que o Governo dos Estados Unidos não deixaria uma entidade grande cair de novo.
Para quebrar essa dinâmica, o Governo e o presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara Baixa, o democrata Barney Frank, elaboraram uma proposta que estabelece um mecanismo para desmantelar grandes empresas financeiras que é mais flexível e rápido que o estabelecido pelo sistema de falências.
O projeto de lei prevê que, quando um gigante de Wall Street estiver preste a afundar, serão os concorrentes, e não os contribuintes, que pagarão pela intervenção.
O Governo dividiria o custo entre todas as companhias financeiras com mais de US$ 10 bilhões em ativos.
O projeto também prevê dar às autoridades mais poder para vigiar e intervir nas entidades financeiras que representem um risco para o sistema, devido ao grande porte.
Além de bancos, poderiam estar na lista seguradoras ou, inclusive, fundos de investimento.
A proposta contempla a criação de um conselho de supervisão dos serviços financeiros, que imporá normas mais estritas a essas empresas.
Nesse conselho, haverá representantes das diversas agências reguladoras e, nele, a voz central será do Federal Reserve (Fed, banco central americano).
Além de Geithner, discursarão na audiência a presidente da Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC, em inglês), Sheila Bair; o interventor dos Estados Unidos, John Dugan; o membro do Conselho do Fed Daniel Tarullo, e o diretor interino do Escritório de Supervisão de Bancos de Poupança (OTS, em inglês), John Bowman.