“O volume de fornecimento foi modificado de acordo com as necessidades reais da Ucrânia em tempos de crise”, ressaltou Alexei Miller, presidente da Gazprom, citado pelas agências russas.
Com isso, a Gazprom venderá à Naftogaz 33,750 bilhões de metros cúbicos de gás no próximo ano – bem abaixo dos 52 bilhões estipulados no contrato assinado em janeiro de 2009.
Os primeiros-ministros de Rússia, Vladimir Putin, e Ucrânia, Yulia Timoshenko, chegaram a um princípio de acordo político sobre o tema na última quinta, em reunião na cidade ucraniana de Yalta.
Além disso, Miller anunciou que a Gazprom não estabelecerá multas pelo fato de os ucranianos terem comprado 13 bilhões de metros cúbicos de gás a menos que o estipulado para os primeiros dez meses deste ano.
Em Yalta, Putin mostrou compreensão diante da delicada situação econômica dos ucranianos. Já Timoshenko assegurou que seu país seguirá pagando “religiosamente” e garantiu o trânsito ininterrupto do gás para o restante da Europa.
Também foi anunciado que a Rússia aplicará à Ucrânia um “preço de mercado” pelo gás a partir de 2010, cancelando o atual desconto de 20% – o que será compensado com um aumento de 60% da tarifa de passagem do gás russo pelo território ucraniano.
Recentemente, Putin acusou Yushchenko de sabotar a cooperação energética entre ambos os países pela recusa a liberar os fundos necessários para pagar o gás russo e defender uma revisão dos contratos bilaterais.
O sistema de gasodutos ucraniano atende a 80% das exportações de gás natural russo com destino à Europa, mas a intenção da Rússia é criar uma nova rede para evitar esta dependência.
Rússia e União Europeia (UE) assinaram semana passada em Moscou um memorando sobre um mecanismo de alerta energético para evitar novas crises de fornecimento de gás, como a ocorrida em janeiro de 2009.