“A OMC tem que ter maior papel para que, se ocorrer algo neste sentido (políticas protecionistas), haja um fórum independente onde seja possível adotar medidas”, disse hoje à “BBC” o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, durante a realização da cúpula de chefes de Estado e de Governo em Londres.
Em um recesso das negociações na sessão plenária realizada no centro de conferências Excel, em Londres, Darling considerou “de especial interesse” que, nesta cúpula, os países “reconheçam os perigos enormes” gerados pela atual crise e a necessidade de enfrentá-los frente.
“Todos os países estão conscientes de que, se repetirmos os erros dos anos 30, quando foram colocadas barreiras ao comércio, a recessão durará anos. Não podemos permitir que isso volte a acontecer. Temos que estar preparados para passar à ação onde vejamos que há protecionismo”, acrescentou o ministro britânico.
Darling reconheceu que a preocupação está especialmente presente nos Governos dos países emergentes e em desenvolvimento, e disse que as medidas protecionistas “são algo que temos que deter, porque, no final, deixarão todos mais pobres”.
Sobre a regulação do sistema financeiro, disse que há um amplo consenso de que “o sistema de regulação e de supervisão deve ser mais amplo, incluindo os hedge funds e as agências de classificação de risco”, e em que as normas de controle “precisam ser mais estreitas e ter caráter mais intrusivo”.
Sobre os paraísos fiscais, Darling disse que todos os Governos “estão de acordo, principalmente neste momento de crise, em que é obscenamente injusto que uma minoria de países atue como refúgio, enquanto outros países perdem a receita por impostos de que precisam neste momento”.
O ministro britânico destacou que “há um acordo universal de que temos que aprender com o passado”.