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Mundo

Futuro vice do Paraguai diz que país não é <i>súdito</i> de Brasil e Argentina

Arquivo Geral

23/04/2008 0h00

Os Governos de Brasil e Argentina devem lembrar que os paraguaios “já não são súditos” na hora de renegociar os contratos de fornecimento de energia com esses países, approved advertiu o futuro vice-presidente do Paraguai, treat Luis Federico Franco Gómez.


“Quero que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe de Estado da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, saibam que já não vamos falar como súditos nem como empregados. Também não vamos criar nenhum problema para eles, só vamos reivindicar o que é justo”, declarou em entrevista publicada hoje pelo jornal argentino “Ámbito Financiero”.


O companheiro de chapa do presidente paraguaio eleito, Fernando Lugo, chamou de “transcendente” a recusa de Brasil e Argentina a aumentar o preço pago pelo fornecimento de energia elétrica das usinas hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacyretá, ambas no rio Paraná, cujas propriedades são compartilhadas com o Paraguai.


“Vamos assumir (o Governo, em 15 de agosto) e depois vamos falar como pessoas adultas”, frisou.


“O senhor deixaria que seu vizinho não levasse a comida para seus filhos?”, questionou acrescentando que o Paraguai reivindicará o que é seu, “nem um centavo a mais, mas também não tolerará um centavo a menos”.


Gómez, que representa o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) dentro da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), liderada por Lugo, também disse que espera que Brasil e Argentina paguem “com dinheiro vivo” para que o Paraguai “faça um uso razoável dele”.


O futuro vice-presidente paraguaio pediou à Argentina para “terminar as obras (de ampliação) de Yacyretá”, inaugurada em 1991 e a segunda maior hidrelétrica da América Latina após Itaipu, a maior em funcionamento do mundo.


Ele advertiu que, se essas obras não acabarem, “não haverá possibilidade” de avançar no projeto da usina hidrelétrica de Corpus, também no rio Paraná, um dos marcos da fronteira entre os dois países.


“Queremos que o que for investido na Argentina seja investido no Paraguai, que seja feita a faixa litorânea, a defesa natural, os 32 quilômetros de asfalto que nos correspondem, que as três pontes sejam concluídas, que os afetados sejam indenizados e que todas as obras civis sejam realizadas”, disse.


Gómez disse que não se trata “de um problema com a Argentina”, mas de resolver o que as autoridades paraguaias não souberam negociar.


“Cristina tem que estar feliz, Lula também: a partir de agora não haverá gorjeta nem migalhas”, afirmou.


“Nós dissemos isso à presidente (Cristina) Fernández e repetimos: a Argentina pode ficar tranqüila, o Paraguai será um sócio estratégico que vai fornecer toda a energia necessária, só reivindicamos o que é nosso”, declarou.


O Paraguai consome 5% da energia produzida por Yacyretá, e o resto é vendido à Argentina a um preço equivalente a um terço do livre mercado, segundo analistas.


Já o Brasil paga US$ 300 milhões por ano ao Paraguai, mas Lugo alega que esse montante deve aumentar para cerca de US$ 1,5 bilhão.


 

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