O comissário de Comércio proposto para integrar o novo Executivo comunitário, o belga Karel De Gucht, definiu hoje como prioridades para os próximos cinco anos concluir a rodada de Doha para a liberalização comercial em 2010 ou 2011, e que o comércio contribua com a Estratégia 2020 para a competitividade europeia.
Em uma audiência perante a Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, que deve lhe dar sinal verde para fazer parte da nova Comissão Europeia liderada pelo português José Manuel Durão Barroso, De Gucht defendeu o fim da rodada de Doha “o mais rápido possível”, em 2010 ou 2011.
“A rodada não avança porque continua havendo grandes divergências, sobretudo com relação à agricultura”, assegurou o candidato belga, que deixaria seu posto como comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária para ocupar-se da pasta de Comércio.
Ele considerou fundamental reforçar o sistema de comércio multilateral e que este seja “aberto, baseado em regras transparentes”.
Em sua opinião, graças à Organização Mundial do Comércio (OMC), “o modelo mais avançado de governança mundial que existe”, o mundo “não caiu no protecionismo”.
Também ressaltou a importância para que o comércio exerça um papel de destaque na chamada Estratégia 2020 – em plena elaboração -, que pretende substituir a Estratégia de Lisboa para o crescimento e o emprego que não alcançou seu objetivo de transformar a UE na região mais competitiva do mundo.
Para isso, propõe-se “vincular medidas de política interna para o reforço da competitividade externa da União” com uma política estratégica de comércio para os anos de 2010 a 2015.
Além disso, De Gucht considerou necessário desenvolver os investimentos europeus em países como Índia, China ou Coreia do Sul e “cooperar”, por sua vez, com as grandes economias (Estados Unidos e China).
De Gucht não se mostrou favorável a relaxar as medidas antidumping (preços abaixo dos de mercado), mas sim fomentar “as próprias oportunidades” para as empresas exportadoras e importadoras e de melhorar o acesso a terceiros mercados.
Em sua opinião, se a política comercial faz parte de um conjunto de “medidas claras”, pode ser um “impulso poderoso para transmitir os valores europeus” e ajudar os países menos desenvolvidos do mundo a “gerar estabilidade política e prosperidade social”.
O comissário designado insistiu no novo papel do Parlamento Europeu – propiciado pelo Tratado de Lisboa – como co-legislador nos assuntos comerciais, já que deve aprovar todos os acordos de livre-comércio que negocie a Comissão Europeia com terceiros países ou regiões.