O primeiro vice-presidente do Sindicato dos Funcionários da ONU, Emad Hassanin, disse hoje que a manifestação faz parte de uma campanha de oposição ao envio de mais funcionários ao país árabe, onde afirmam que a situação é muito perigosa para realizarem seu trabalho.
“Não achamos que a questão da segurança tenha sido levada a sério e desejamos que seja registrada nossa preocupação para que, caso aconteça algo, não digam que não avisamos”, declarou.
Hassanin afirmou que o protesto consistirá na leitura de uma declaração após a cerimônia em homenagem dos 23 mortos no atentado do dia 19 de agosto de 2003, evento que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, dirigirá na sede da entidade em Nova York.
A declaração se junta a uma resolução que o sindicato aprovou no dia 7 de agosto e na qual expressa sua oposição ao envio de mais funcionários ao Iraque e exige a retirada dos que estão neste país.
Uma cópia ampliada da mensagem de protesto está exposta desde a última semana na entrada da principal lanchonete da sede da ONU.
O Conselho de Segurança aprovou, no dia 10 de agosto, uma resolução proposta por Estados Unidos e Reino Unido que multiplica as responsabilidades da ONU no Iraque, ao dar a esta entidade um maior papel na busca de uma solução política para o conflito e na resposta para a crise humanitária que a violência causou.
O sindicato, que com 5 mil funcionários é a principal plataforma de representação dos funcionários das Nações Unidas, diz que a instável realidade iraquiana expõe os funcionários a um grande perigo.
“Nós conversamos todos os dias com nossos companheiros em Bagdá e eles nos dizem que só saem da Zona Verde para ir ao aeroporto, e isto com muito risco. A ONU não pode funcionar se carece de liberdade de movimento”, afirmou Hassanin.
O sindicalista também explicou que, por se tratar de uma organização internacional, os funcionários não têm uma instância judicial à qual recorrer, o que faz com que os protestos como o de amanhã sejam as suas únicas armas.
Um funcionário que seja alocado em Bagdá pode se negar a ir para este destino, mas isto equivale a um suicídio trabalhista, declarou. “Tem que ir ou enfrentará problemas na entidade. Caso seja um contratado, não terá seu vínculo renovado”, concluiu.