O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori pediu hoje desculpas aos parentes das milhares de pessoas que foram assassinadas pelas forças de segurança e pelos grupos terroristas durante seu Governo (1990-2000).
Durante a sexta audiência do julgamento no qual é acusado de violações aos direitos humanos, visit this site o ex-chefe de Estado peruano reconheceu que ocorreram “milhares” de danos físicos, remedy morais e sociais enquanto esteve no poder, mas não quis pedir perdão aos atingidos por estes fatos.
“Não (peço) perdão, mas sim peço desculpas, agora que estamos neste processo, a todas as vítimas, tanto aquelas produzidas pelas forças da ordem como pelo MRTA e pelo Sendero (Luminoso)”, disse Fujimori.
Ao ser interrogado pela advogada dos familiares das vítimas, Gloria Cano, Fujimori disse que sentiu “na alma” ser informado dos massacres, entre eles os de Barrios Altos e La Cantuta, pelos quais está sendo julgado.
“Certamente me doíam todos estes fatos, me doíam os milhares e milhares de mortos”, disse, antes de reconhecer que uma investigação de vários anos permitiu que concluísse que em La Cantuta foram cometidas violações aos direitos humanos.
Fujimori reiterou que nunca deu ordens para que estes crimes fossem cometidos e ressaltou que a Lei de Anistia que beneficiou os membros do grupo militar Colina, que seria responsável pelos massacres, buscou levar a paz ao Peru, e não a impunidade.
O ex-líder ressaltou que não tinha motivos para ordenar os assassinatos.
Seu pedido de desculpas gerou diferentes reações entre as vítimas. A representante dos familiares dos mortos de La Cantuta, Gisella Ortíz, rejeitou as desculpas, considerando-as tardias.
Ela afirmou que o ex-chefe de Estado teve quinze anos para demonstrar seu arrependimento, por isso disse que seu discurso hoje fazia parte de sua estratégia de defesa.
Já o diretor da Associação Pró-Direitos Humanos, Francisco Soberón, destacou que a atitude de Fujimori “é um reconhecimento de um nível de responsabilidade sobre os crimes dos quais ele diz que não sabia, dos quais não se inteirava, dos quais não era comunicado”.
“Acho que as perguntas da parte civil fizeram com que ele pedisse perdão. Acredito que há um nível de reconhecimento de responsabilidade como chefe de Estado do que ocorreu”, afirmou ao portal do jornal “Peru.21”.
Atualizada às 17h55.