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Fretilin inicia conversas para formar Governo de coalizão no Timor-Leste

Arquivo Geral

05/07/2007 0h00

A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) se declarou hoje vencedora das eleições legislativas realizadas no dia 30 e anunciou o começo de negociações para formar um Governo de coalizão.

O ex-primeiro-ministro e líder do partido, healing Mari Alkatiri, click disse à Efe em Díli que o resultado “demonstra que a maioria do povo ainda confia na Fretilin para governar o país durante os próximos cinco anos”.

A Fretilin é um dos partidos mais relevantes do Timor-Leste, patient por ter liderado a proclamação da independência do país em 1975, e porque a resistência contra a ocupação indonésia – que durou 24 anos, entre 1975 e 1999 – se uniu em torno da legenda.

Com a reputação de defensor da independência, o partido venceu com facilidade as eleições de 2001 e governou sozinho até que, no ano passado, Alkatiri renunciou à chefia de Governo em meio a uma crise política agravada por uma onda de violência que tinha matado 30 pessoas e criado 150 mil refugiados.

Alkatiri prometeu durante a campanha eleitoral que, caso ganhasse, não lideraria o próximo Executivo e, embora hoje não tenha mencionado a promessa, disse que “o que a Fretilin deseja é formar um Governo sólido, forte e estável que sirva ao povo”.

Apurados os 414.477 votos emitidos, o que representa um índice de participação de 81%, a Fretilin obteve 117.016 destes, ou 29,2%, segundo dados da Comissão Nacional das Eleições (CNE).

Em segundo lugar ficou o Conselho Nacional para a Reconstrução do Timor-Leste (CNRT), com 23,5% ou 94.520 votos, formação fundada em março por Xanana Gusmão, ex-presidente do país e herói da resistência timorense contra a ocupação indonésia.

A aliança ASDT-PSD teve 63.297 votos (15,8%), e o Partido Democrata (PD) ficou em quarto com 45.917 (11,4%). Com participação bem menor ficaram os demais doze partidos e duas coalizões que concorriam pelas 65 cadeiras do novo Parlamento unicameral.

“Iniciamos conversas com partidos da oposição, como o ASDT-PSD e o PD, para formar um Governo de coalizão, assim que a CNE anunciar o resultado final, mas não vamos negociar com o CNRT”, afirmou Alkatiri.

Hoje, no entanto, a coalizão ASDT-PSD descartou a possibilidade de aliança com os governistas.

“É impossível falar de coalizão com a Fretilin porque temos princípios muito diferentes de ideologia política. O ASDT-PSD é socialista democrata, enquanto a Fretilin é socialista-marxista”, disse o presidente da aliança e ex-governador durante a época da ocupação indonésia, Mario Carrascalão.

O presidente do PD, Fernando Lasama de Araujo, se mostrou mais flexível e interessado em ouvir a Fretilin, “por interesse da união nacional e pela estabilidade do país”.

“Um gabinete de União Nacional permitirá acabar com o sofrimento e a miséria da população que ainda vive em campos de refugiados em Díli e outras partes do país. Não se trata de vender nossos votos, mas de solucionar a crise nacional”, disse Lasama.

O próprio presidente timorense e prêmio Nobel da Paz, José Ramos Horta, voltou a insistir hoje, após a divulgação dos resultados eleitorais, em uma grande coalizão de Governo para terminar com as divisões e confrontos que prolongam a crise.

“Incentivo todos os partidos políticos mais votados, Fretilin, CNRT, a coalizão ASDT-PSD e PD, a formarem uma grande coalizão, e o modelo não deveria ser aquele em que o partido ganhador seja chefe de Governo, mas que o primeiro-ministro possa pertencer a outra força”, propôs Ramos Horta, que venceu as eleições presidenciais de abril e maio no segundo turno.

O Timor-Leste teve sua independência declarada em 20 de maio de 2002.

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