A greve contra a reforma dos regimes especiais de previdência mais uma vez afeta principalmente as companhias SNCF, de ferrovias, e RATP, do transporte metropolitano de Paris. Mas o número de grevistas é menor que o dos dias anteriores, de acordo com os primeiros relatórios da diretoria das duas empresas.
A SNCF hoje só programou 250 trens de alta velocidade, dos 700 de um dia normal, além de 20% dos trens de longo percurso e um terço dos regionais.
Segundo a RATP, esta manhã circulavam em torno de 20% dos trens de metrô. Mas algumas linhas ficaram completamente paradas nas primeiras horas de serviço. Cerca de 30% dos ônibus da região e dos trens locais estão circulando, mas a situação varia muito de uma linha para outra.
Como nos dias anteriores, a conseqüência é um tráfego muito mais intenso na capital francesa e em toda a sua região, com 240 quilômetros de retenções às 7h30 (4h30 de Brasília). A greve tende a continuar. Ontem, a direção dos sindicatos pediu que as assembléias gerais de hoje votem a continuação do movimento até amanhã. As centrais pretendem assim forçar o governo a estabelecer uma negociar nas empresas, conforme um consenso aparentemente atingido na quarta-feira.
Hoje, o diretor da Confederação Geral do Trabalho (CGT) na SNCF, Didier Le Reste, justificou a reivindicação, dizendo que “é preciso dar mais visibilidade” aos temas em discussão, além de garantias que de que alguns pontos entrarão na agenda.
Em entrevista à emissora France Info, Le Reste negou que as bases tenham abandonado o movimento ontem. A estratégia das direções dos sindicatos mudou conforme as assembléias de grevistas se pronunciavam a favor de manter a greve, afirmou. O ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, tinha exigido ontem o fim do protesto para abrir negociações.
A greve é um protesto contra a reforma dos regimes especiais de previdência, que beneficia cerca de 500 mil trabalhadores na SNCF, na RATP, nas empresas públicas de energia (EDF e GDF) e nos cartórios. O governo quer aumentar o período de contribuição para a aposentadoria, dos atuais 37,5 anos para 40.