A França vai testar o scanner corporal em voos destinados, principalmente, aos Estados Unidos procedentes dos aeroportos de Paris, que devem contar com os primeiros aparelhos neste mês, e usarão um padrão de conduta para preservar a privacidade dos passageiros.
O secretário de Estado de Transportes francês, Dominique Bussereau, confirmou hoje, em entrevista à rádio “Europe 1”, que os testes serão feitos, “em particular, nos aeroportos parisienses”, começando com “os voos aos EUA e os mais importantes”.
Em um primeiro momento, haverá “seis ou sete” scanners, adiantou Bussereau.
A Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) da França já havia indicado que vários desses aparelhos estariam em operação “até o final do mês”, depois da tentativa de atentado em um voo de Amsterdã à cidade americana de Detroit, em 25 de dezembro passado.
A DGAC, que garante que as ondas emitidas pelos scanners são 500 vezes mais fracas que as de um telefone celular, explicou que, para preservar a privacidade dos passageiros submetidos ao exame, o agente encarregado de vigiar as imagens manterá distância deles. Será um homem, para os homens, e uma mulher, para as mulheres.
Além disso, segundo o órgão, a imagem mostrada não será a de um corpo nu, mas de formas reconstituídas em três dimensões nas quais aparecerão as partes íntimas e o rosto distorcidos.
A passagem pelos scanners será, por enquanto, voluntária, de modo que os passageiros poderão optar em não passar pelo aparelho e se submeter, então, à revista de um agente de segurança.
O Governo francês tinha criado um grupo de trabalho sobre os scanners corporais com o objetivo de elaborar propostas no prazo de um mês.
A França descartou, por enquanto, a difusão desses sistemas de controle nos aeroportos, após uma primeira experiência há menos de um ano no aeroporto de Nice, abandonada devido aos protestos de associações de defesa das liberdades individuais.
As autoridades francesas esperam mudanças na legislação europeia. Sobre isso, o comissário de Justiça da União Europeia (UE), o francês Jacques Barrot, considera que a pertinência dos scanners corporais e o registro de dados dos passageiros no momento da reserva da passagem devem ser discutidos novamente.
Barrot, que convidou a secretária dos Estados Unidos encarregada da Segurança ao conselho informal de ministros de Interior da União Europeia em Toledo (Espanha), nos dias 21 e 22, ressaltou que “a Europa deve aprender todas as lições do atentado” frustrado no voo Amsterdã-Detroit.
Em artigo publicado hoje pelo jornal francês “Le Figaro”, o vice-presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE) insistiu que a prioridade é “definir um marco europeu para harmonizar e consolidar” os controles nos aeroportos, porque “só um enfoque europeu permitirá definir padrões elevados que garantam uma maior segurança”.