A ministra de Exteriores da França, Michèle Alliot-Marie, ofereceu nesta terça-feira ajuda de seu país para evacuar os cerca de 130 brasileiros que trabalham na cidade líbia de Benghazi, aparentemente sob controle de opositores de Muammar Kadafi.
A oferta foi feita durante a reunião que a ministra francesa teve nesta terça-feira em Brasília com seu colega, Antonio Patriota, informaram em entrevista coletiva conjunta.
Michèle relatou que a Líbia autorizou a aterrissagem de dois aviões franceses em Trípoli e que os equipamentos podem ser usados para colaborar com o Brasil na evacuação dos brasileiros.
Os brasileiros trabalham para a construtora Queiroz Galvão, empresa que fretou uma aeronave para evacuá-los, mas que não recebeu a respectiva autorização da Líbia para que o avião aterrisse em Benghazi.
Segundo fontes diplomáticas, além da falta de autorização, o aeroporto de Benghazi aparentemente está sem condições de operação, por isso que dificilmente a evacuação poderá ser feita via aérea. As mesmas fontes consideram que será difícil garantir o transporte desses funcionários por via terrestre até Trípoli.
“Como seguem as dificuldades para os sobrevoos e as aterrissagens em Trípoli, estamos pensando na possibilidade de um navio”, disse por sua parte Patriota ao admitir que o Brasil estuda a viabilidade de evacuar seus cidadãos por via marítima.
O chanceler disse que o Governo brasileiro já entrou em contato com empresas barqueiras italianas para planejar a possível evacuação por navio diretamente de Benghazi.
Os ministros do Brasil e França reiteraram nesta terça-feira suas críticas contra a forma violenta como o Governo líbio reprimiu os protestos contra si.
“A violência contra os manifestantes é inaceitável”, disse Patriota.
“Esse surto de violência é inadmissível. O único que podemos pedir é que a violência acabe”, anotou por seu à funcionária francesa.
Na reunião, os ministros também conversaram sobre a decisão brasileira de adiar o resultado do concurso para comprar 36 caças-bombardeiros para sua Força Aérea e na qual os Rafale, da francesa Dassault, concorrem com os Super Hornet F/A-18, da americana Boeing, e os Gripen NG, da sueca Saab.