O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e seu colega russo, Dmitri Medvedev, se mostraram hoje de acordo em endurecer as sanções contra o Irã por causa de seu polêmico programa nuclear, anunciaram hoje os líderes após uma reunião no Palácio do Eliseu.
O acordo entre os dois chefes de Estado almeja que as sanções sejam específicas para que não afetem a população civil e não acarretem consequências humanitárias, ressaltou Medvedev.
O presidente da Rússia reconheceu perante a imprensa que “a situação se degradou”. Embora tenha mencionado que “nem tudo está perdido”, ele ressaltou que, se não houver progresso, “a Rússia está disposta a aplicar novas sanções” ao Irã “quando o diálogo não for possível”.
Medvedev lamentou que Teerã não tenha respondido às propostas da comunidade internacional para enviar ao exterior seu urânio enriquecido a 3,5% e recebê-lo depois enriquecido a 20%, nas condições necessárias para manter operacional seu reator nuclear civil na capital.
Sarkozy, por sua vez, reiterou a posição francesa de endurecer as sanções e assegurou que o presidente russo transferiu a ele “sua disponibilidade sobre a questão de sanções”, sob a condição de que não provoquem “um drama humanitário”.
Em outro âmbito do dossiê nuclear, os dois líderes se referiram às negociações para a redução dos arsenais nucleares entre Rússia e Estados Unidos.
Medvedev assegurou que ambos os países estão “próximos a um acordo sobre todas as questões” e acrescentou que discutem “os detalhes do texto” após um diálogo que começou em abril de 2009.
Os negociadores russos e americanos devem finalizar o texto a partir de 9 de março em Genebra.
Sarkozy rejeitou a ideia de reduzir os arsenais nucleares da França até que os EUA e a Rússia – que controlam 95% das armas atômicas do planeta – cheguem ao nível francês.
O chefe de Estado francês afirmou, além disso, que não abandonará “a dissuasão francesa sem ter certeza” de que o resto dos países com capacidade nuclear também se desarmarão.
“Acho que todo dirigente responsável deve reagir dessa maneira” assegurou Sarkozy.