O secretário de Estado de Comércio Exterior francês, buy more about Hervé Novelli, destacou hoje a rejeição dos países da União Européia às últimas propostas enviadas aos membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), que “estão muito longe” do que a França aceita para um acordo da Rodada de Doha.
Novelli ressaltou em entrevista coletiva as críticas expressadas pela maioria dos ministros de Comércio da UE durante os debates realizados na noite de domingo e hoje sobre os textos apresentados dentro da OMC.
Os ministros dos 27 países-membros analisaram as propostas com o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, para avançar nas negociações sobre a abertura dos mercados agrícola e industrial.
O secretário francês afirmou que os projetos que estão sendo negociados agora são “muito preocupantes” e disse que “resta muito trabalho a fazer para que (na OMC) exista a possibilidade de um acordo”. Além disso, ressaltou que, após a reunião de Potsdam (Alemanha) em junho – na qual UE, Estados Unidos, Brasil e Índia fracassaram em uma tentativa de aproximar as posições -, “as posturas se tornaram mais agressivas”.
Novelli ressaltou que, para a França, é especialmente preocupante a proposta para a negociação agrícola. Para ele, ao falar sobre a redução de tarifas, é “inquietante” o capítulo de produtos sensíveis, ou seja, os que estariam protegidos da liberalização. A França considera que o aspecto da negociação provocada pelo maior distanciamento do bloco europeu com os outros membros é a agricultura.
A proposta implica um “aumento dos contingentes de importação de produtos como carne e leite”, o que preocupa o Governo francês, acrescentou. Com relação ao texto apresentado na OMC sobre a abertura de mercados industriais, “a maioria dos países da UE expressou ontem e hoje que seu conteúdo é insatisfatório”.
Novelli assegurou que o descontentamento entre os integrantes da UE é “majoritário” e que, junto com os que compartilham a posição da França sobre Doha, estão outros, habitualmente liberais, que também reconheceram que as últimas propostas oferecem pouco na abertura de mercados industriais.
Segundo o secretário francês, apenas a Suécia se mostrou otimista com o que foi apresentado. O próprio Mandelson, que negocia em nome do bloco europeu, também indicou que são necessárias melhorias nas propostas.
A UE estima que nos documentos enviados pelos delegados das negociações agrícolas e dos mercados industriais faltam partes importantes da negociação, como o setor de serviços e a proteção das Indicações Geográficas ou Denominações de Origem.
A Rodada de Doha, atualmente estagnada, começou em 2001 para aprofundar a liberalização do comércio mundial e favorecer os países em desenvolvimento.