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Mundo

Fracasso da Constituinte seria fatal para Bolívia, diz Morales

Arquivo Geral

07/07/2006 0h00

O presidente da Bolívia, case abortion Evo Morales, advertiu hoje que a sobrevivência do país, o mais pobre da América do Sul, estará em risco se uma Assembléia Constituinte que tom a posse em agosto não conseguir acabar com o que descreveu como "Estado colonial".

O governante indígena, no poder desde janeiro, fez um forte chamado à disciplina e à autocrítica ao abrir, na região central do país, uma reunião dos constituintes governistas, escolhidos na eleição de domingo passado. A bancada pró-Morales será maioria na Assembléia.

Quase todos são dirigentes camponeses e indígenas. Morales prometeu que seus constituintes, agrupados sob o Movimento ao Socialismo (MAS), vão "desenhar um Estado participativo, inclusivo, construído a partir das comunidades para pôr fim a 500 anos de exploração". "Se isso fracassar, fracassamos todos, não só como MAS, como movimento político, mas como Bolívia", afirmou Morales, na reunião ocorrida em um hotel de luxo, nos arredores de Cochabamba, em um salão mais acostumado a testemunhar encontros de empresários.

Aclamado pelos constituintes eleitos e por centenas de seguidores em trajes típicos, o presidente pediu "sensatez" diante do contundente triunfo eleitoral do MAS, o segundo em um ano, algo sem precedentes no atual ciclo democrático da Bolívia, iniciado há 24 anos.

"Se queremos mudar o Estado colonial, temos de nos esforçar para nos organizar, preparar e liderar", acrescentou, mostrando-se confiante de que os indígenas eleitos serão "constituintes de primeira, de luxo, porque todo o povo é constituinte".

Em entrevista à imprensa, Morales disse que o MAS levará à Constituinte não só as demandas dos nove Departamentos da Bolívia, mas também dos 36 povos indígenas que pedem autonomia e reconhecimento de suas culturas.

Segundo a apuração oficial, que está na reta final, o MAS fez pelo menos 140 dos 255 constituintes. Além disso, um partido aliado do governo elegeu cinco.

O vice-presidente Alvaro García disse na mesma reunião em Cochabamba que o MAS pretende ser "inclusivo" em suas alianças dentro da Constituinte, embora, depois da votação de domingo, seja "não só a primeira como a única força política majoritária em todo o país".

Já a oposição, segundo ele, diminuiu e se dispersou, e a maior força da direita – a aliança Poder Democrático e Social, do ex-presidente Jorge Quiroga – se tornou "um partido residual".

A Constituinte, reivindicada durante quase 20 anos por movimentos sociais liderados em parte pelo próprio Morales, foi eleita em cumprimento a um pacto político de junho de 2005, que pôs fim a cinco anos de crise e possibilitou a eleição de dezembro, vencida por Morales.

A Assembléia vai trabalhar em Sucre, capital oficial do país, no sul, durante no máximo um ano, a partir de 6 de agosto, Dia da Independência. Segundo Morales, pelo menos cinco presidentes sul-americanos confirmaram presença na cerimônia de inauguração.

"Faremos uma grande festa, porque, por fim, os povos originários assumirão a condução de um país pelo qual lutaram e do qual estiveram excluídos", disse Morales.

 

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