Os uruguaios rejeitaram a anulação da Lei de Caducidade que deixou impunes os crimes de Estado cometidos pela ditadura uruguaia, segundo reconheceu a coordenadora impulsora do plebiscito realizado hoje para conseguir essa nulidade.
Luis Puig, porta-voz da Coordenadoria pela Nulidade da Lei de Caducidade admitiu este fracasso, apesar de que em um primeiro momento os dados apontados por pesquisadoras de boca-de-urna pareciam dar a vitória do sim ao fim da impunidade das violações de direitos humanos cometidos por policiais e militares ao serviço da ditadura (1973-1985).
Puig, que trabalhava em suas declarações com os últimos dados de três empresas pesquisadoras de boca-de-urna, assinalou que “a luta pela verdade e pela justiça não termina nem se menospreza” com este resultado desfavorável à tese da nulidade da também chamada Lei de Impunidade.
“O tema da memória e da justiça teve um grande apoio nos jovens uruguaios”, disse Puig, também secretário de Direitos Humanos da principal central operária do Uruguai.
Era preciso superar 50% dos votos emitidos para conseguir a nulidade da Lei de Caducidade, mas segundo as pesquisas manuseadas pela coordenadoria não ultrapassaram 48%.
A Lei de Caducidade foi aprovada em 1986 no fim do regime cívico-militar (1973-1985) e já foi referendada em um primeiro plebiscito em 1989.
A nulidade da Lei de Caducidade tinha se transformado em um motivo de disputa na campanha eleitoral, com acusações cruzadas de utilização eleitoreira de um assunto tão delicado.