O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia da zona do euro sofrerá este ano uma queda do 4,2% em seu PIB, mas em 2010 se recuperará e registrará um crescimento, embora ligeiro, de 0,3%.
Os números dados a conhecer hoje pelo último relatório de “Perspectivas Econômicas Mundiais” do FMI supõem um cálculo mais propício para esta área econômica a respeito dos dados de julho, quando a organização financeira augurava uma queda de 4,8% para 2009 e um retrocesso de 0,3% para 2010.
O FMI apóia sua revisão em alta nos últimos dados econômicos da zona do euro, “que sugerem que o ritmo do descenso se está moderando”, já que no segundo trimestre do ano a economia se contraiu menos que o esperado.
Apesar de tudo, indica o FMI, “o mais provável é que a recuperação na Europa seja lenta”.
Alemanha, considerada a locomotiva econômica da Europa, experimentará um retrocesso de 5,3% este ano, mas em 2010 registrará um crescimento de 0,3%.
França terá um PIB negativo de 2,4%, embora em 2010 crescerá 0,9%, enquanto Itália sofrerá uma queda de 5,1% em 2009 e um aumento de 0,2% no próximo ano.
A economia espanhola se contrairá 3,8% no conjunto deste ano e 0,7% no próximo, números ligeiramente melhores ao calculado há dois meses, quando o FMI esperava um retrocesso de 4% para este ano e de 0,8% em 2010.
Os países europeus emergentes, por sua parte, registrarão um PIB negativo de 5,2% este ano, mas em 2010 obterão um crescimento de 1,8% em seu conjunto.
A instituição que dirige Dominique Strauss-Kahn destaca que as condições nos mercados financeiros da zona do euro melhoraram, mas o sistema, em grande parte conformado pelos bancos, demorará em recuperar plenamente sua função intermediária.
As difíceis condições creditícias limitarão os investimentos privados e o aumento do desemprego afetará o consumo, em um marco no qual “a ajuda pública deve retirar-se gradualmente”, aconselha o FMI.
O organismo calcula que a inflação na zona do euro se situará em 0,3% este ano e 0,8% em 2010, enquanto o desemprego, especialmente alto na Espanha, alcançará 9,9% em 2009 e 11,7% no próximo ano.
Neste panorama, a instituição financeira considera que o declive registrado na atividade econômica dos países da zona do euro “parece que está se moderando, embora a recuperação provavelmente seja modesta durante os próximos trimestres”.
Se prevê que a zona do euro sairá da recessão no segundo semestre de 2009 e, a partir de então, a recuperação se consolidará ao longo de 2010.
O FMI adverte que a recuperação poderia ser mais lenta que o esperado se as condições nos setores financeiros e corporativos piorarem e o desemprego aumentar mais do antecipado.
Mas os riscos poderiam se agravar se os Governos retirarem antes seus planos de estímulo econômico, a pressão política atrasar as reformas no setor financeiro e a coordenação das políticas fraquejar, alerta a instituição.
O FMI considera, além disso, que houve passos na direção adequada por parte da Europa, mas indica que é necessário impulsionar a recapitalização dos bancos para recuperar a confiança no sistema financeiro e recuperar a capacidade creditícia.
Acrescenta, além disso, que segue havendo dúvidas consideráveis sobre os ativos e a qualidade dos mesmos, aconselha aos Governos preparar planos de consolidação para depois da recuperação, e assinala que há “amplo espaço” para manter os juros baixos.