A União Europeia (UE) precisa de um novo mecanismo para regulamentar e supervisionar o sistema financeiro em nível comunitário, help e um acordo para compartilhar o custo de recuperar os bancos importantes, afirmou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“É urgentemente necessário estabelecer vigilância em nível europeu”, disse Marek Belka, o diretor do departamento da Europa do FMI, em artigo divulgado hoje no “Finanças e Desenvolvimento”, uma publicação da entidade.
Os membros da UE estão em meio a um debate sobre a futura supervisão financeira, no qual alguns países, como o Reino Unido, são reticentes em ceder poder a Bruxelas.
Belka disse que a solução é necessariamente “mais Europa” e menos divisões ao longo das fronteiras nacionais, já que o continente se comporta cada vez mais “como uma única economia”.
A Comissão Europeia (órgão executivo da UE) apoia a recomendação de um comitê presidido pelo ex-diretor-gerente do FMI Jacques de Larosière de criar dois novos órgãos para vigiar a estabilidade do sistema financeiro comunitário.
O diretor do FMI comentou que as propostas da Comissão Europeia são “um passo importante”, mas é necessário “muito mais”.
A UE deve melhorar seu desempenho ao recapitalizar os bancos, liquidar os que forem insolventes, reconhecer perdas e estimar a solidez de suas entidades financeiras, destacou o ex-premiê polonês.
Sem essas medidas, os programas de estímulo econômico aplicados pelos Governos “serão obstaculizados”.
No artigo, Belka alertou também que o déficit e a dívida de alguns dos membros da UE “subirão a níveis alarmantes”.
“As finanças públicas da Europa têm que melhorar rapidamente”, porque os mercados financeiros começarão a se fixar de novo no desempenho fiscal, após desaparecer a urgência da crise, enquanto se intensificará o envelhecimento da população e cairá o crescimento potencial do continente, afirmou.
O funcionário pediu aos Governos que definam metas de déficit a médio prazo “mais vinculativos” e sejam mais realistas ao elaborar suas previsões de crescimento