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FMI aconselha que salários não subam segundo o preço dos alimentos

Arquivo Geral

11/04/2008 0h00

O diretor do departamento da América Latina do Fundo Monetário Internacional (FMI), physician Anoop Singh, aconselhou nesta sexta-feira, aos Governos e empresas da região, que no momento de negociar salários não dêem aos trabalhadores aumentos que reflitam a escalada do preço dos alimentos.

Em entrevista coletiva na sede do FMI, que este fim de semana realizará sua assembléia anual conjunta com o Banco Mundial (BM), Singh apontou a inflação como um dos maiores riscos para a América Latina.

O diretor disse que sua recomendação fundamental é evitar que “a inflação derivada dos preços dos alimentos seja refletida nos contratos de salários”.

Singh esclareceu que não se opõe a qualquer ajuste de salários, mas sim a uma alta para equipará-los totalmente com o aumento do preço da cesta básica de alimentos.

Na prática, a recomendação de Singh supõe uma redução dos salários em termos reais, descontando-se a inflação.

Segundo o Fundo, desde o fim de 2006 o preço dos alimentos subiu 48% em nível mundial. A alta vem provocando protestos em países como México e Haiti, onde neste último morreram cinco pessoas.

Ao invés de um ajuste dos salários, Singh recomendou aos Governos usar seus programas sociais “para aumentar rapidamente a ajuda aos pobres, de modo que se diminua o impacto dos preços dos alimentos sobre eles”.

O perigo da inflação na América Latina é um sinal de que sua economia não sofreu o forte arrefecimento vivido nos Estados Unidos e que, segundo o FMI, se estenderá à Europa.

Singh afirmou que ao contrário de outras crises, a região superou bem, por enquanto, a onda expansiva do desajuste financeiro nos EUA.

Mesmo assim, também sofrerá uma desaceleração, passando de um crescimento de 5,6% em 2007 para 4,4% em 2008 e 3,6% em 2009.

Singh alertou que existe “um risco claro” de que essa redução de ritmo seja “mais drástica do que o previsto”.

Por isso, advertiu aos Governos que a redução de liquidez em nível internacional já limitou o acesso das empresas latino-americanas aos mercados de capitais.

Outro grande perigo é uma queda dos preços das matérias-primas. A advertência pode soar estranha em um momento em que o petróleo deixou bem atrás a cota dos US$ 100 o barril.

No entanto, o Fundo prevê uma queda “pequena” dos preços das matérias-primas em geral, neste ano, e em 2009, em harmonia com a desaceleração econômica mundial.

Aos exportadores de metais como Brasil, Peru e Chile, e aos petroleiros Equador e Venezuela, Singh advertiu que, como precaução, devem preparar as contas públicas com mais economia para uma possível redução dos preços mais aguda do que a prevista.

“Virtualmente, toda desaceleração econômica que experimentamos nas últimas décadas veio acompanhada por uma queda significativa dos preços das matérias-primas”, alertou.

O efeito ainda não ocorreu, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apesar de os EUA, a maior economia do mundo, já estar sofrendo uma contração econômica, segundo as previsões do FMI.

“Não notamos um impacto da desaceleração no preço das matérias-primas brasileiras”, disse Mantega em entrevista coletiva na sede do FMI.

Em todo caso, o organismo prevê que os preços alimentícios se manterão altos pelo aumento da demanda na Ásia e dos cultivos destinados aos biocombustíveis, afirmou José Fajgenbaum, subdiretor do departamento da América Latina do FMI.


 

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