O Governo da Finlândia anunciou hoje que está estudando uma reforma na lei de armas de fogo para torná-la mais rigorosa, more about depois que um estudante de 18 anos assassinou oito pessoas com uma pistola e se suicidou com um tiro na cabeça, na quarta-feira.
A reforma elevará a idade mínima para adquirir armas de fogo de 15 para 18 anos, como recomenda a União Européia (UE).
Até agora, a Finlândia era o único país da UE que rejeitava essa recomendação, alegando que isso limitaria a possibilidade de adolescentes praticarem caça e tiro ao alvo – dois esportes que têm com muitos adeptos no país.
A nova lei proibirá os menores de idade adquirir armas de fogo em seu nome, mas poderão possuí-las para caçar ou praticar tiro sempre que forem supervisionados por um adulto.
Além disso, o Ministério do Interior deu instruções à Polícia para que ser mais rigorosa na avaliação dos candidatos a permissão de armas.
Segundo a atual legislação finlandesa, a permissão pode ser concedida aos maiores de 15 anos, “se houver um motivo aceitável para isso e não houver suspeitas de que o solicitante fará uso incorreto dela ou dos objetos adquiridos graças a ela”.
Na prática, só são considerados “motivos aceitáveis” a caça e o tiro, e não a defesa pessoal.
Segundo o Ministério do Interior, a Polícia finlandesa outorga 80.000 permissões anuais.
O autor do massacre na escola Jokela de Tuusula, Pekka-Eric Auvinen, solicitou inicialmente uma licença para comprar uma pistola semi-automática de 9 mm, informou a Polícia.
A permissão foi negada por ser uma arma de calibre grosso e porque o solicitante era muito jovem.
No entanto, dia 19 de outubro Auvinen recebeu uma licença para comprar uma pistola calibre 22 da marca Sig Sauer Mosquito, que foi a utilizada para cometer o crime.
A Finlândia é o terceiro país do mundo com maior índice de armas de fogo por habitante, com uma média de 30 armas para cada 100 pessoas.
Além da questão da legislação sobre armas, a Finlândia debate a atuação das autoridades em casos do tipo. Dois dias depois do massacre, cada vez mais entidades criticam a ação policial durante e depois do incidente.
Para órgãos de imprensa locais, a Polícia finlandesa foi especialmente negligente ao informar sobre o que tinha acontecido e sobre o número de vítimas.
Os policiais divulgaram os primeiros dados oficiais durante uma entrevista coletiva quase seis horas depois que o assassino tentou se matar. A falta de informação oficial gerou todo tipo de rumores.
“Pode-se constatar que o trabalho da Polícia na hora de informar o massacre de quarta-feira foi deficiente e até lamentável”, afirmou uma jornalista da agência de notícias finlandesa “STT”.
“Os cidadãos tinham e têm o direito a estar informados. Mas esta demanda por informação não foi atendida pela Polícia, só pelo médico-chefe do hospital de Töölö, Eero Hirvensalo, e por autoridades municipais de Tuusula”, acrescentou.
O próprio porta-voz do hospital, para onde foram levadas as vítimas, se uniu às críticas em artigo publicado hoje em uma revista médica.
Hirvensalo acusou os policiais de não tornarem público o número de mortos logo em seguida, o que teria atrapalhado o trabalho dos médicos.
“Os comunicados da Polícia deveriam ter sido o mais corretos e abertos possível desde o princípio”, disse.
O inspetor-chefe da Polícia, Tero Haapala, encarregado da investigação, reconheceu publicamente que houve “algumas interrupções” no fluxo de informações para a imprensa, e admitiu que os policiais deveriam ter agido com mais rapidez.
Parte da mídia também questionou se os agentes fizeram realmente o correto durante o ataque ou se poderiam ter evitado alguma das mortes.
Segundo a versão policial, a primeira patrulha chegou à escola às 11h55 hora local (7h55 em Brasília), 11 minutos após receber a ligação de um aluno pedindo socorro.
Quando os agentes se aproximaram do prédio, Auvinen disparou duas vezes de uma distância de 45 metros, sem ferir ninguém.
Os agentes decidiram não abrir fogo “porque existia o risco de ferir algum aluno” e viram Auvinen desaparecer dentro da escola, sem saber se ele tinha matado alguma pessoa.
A Polícia demorou quase duas horas para encontrar o assassino ferido. Ele foi levado para um hospital de Helsinque e acabou morrendo horas mais tarde.
Policiais justificaram a atuação alegando ter dado prioridade à remoção dos alunos, mas alguns estudantes permaneceram quase quatro horas trancados nas salas de aula até serem resgatados pela Polícia.