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Mundo

Filme que critica Corão gera protestos e processos no mundo islâmico

Arquivo Geral

28/03/2008 0h00

“Fitna”, o curta-metragem do deputado holandês Geert Wilders que condena o Corão, gerou várias críticas internacionais e anúncios de processos judiciais após sua exibição.

Os principais países islâmicos, como Indonésia, Paquistão e Irã, pediram ao Governo holandês que retire o filme do ar e processe o deputado por “difamação e ofensa deliberada” aos sentimentos dos muçulmanos.

Em entrevista coletiva, o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, se mostrou hoje “orgulhoso” da forma “digna” com a qual os muçulmanos na Holanda reagiram à exibição do filme, mas não descartou que a situação possa sofrer modificação.

Balkenende elogiou a atitude de seu Governo que, antecipadamente, intensificou seus contatos diplomáticos com países islâmicos e se distanciou das opiniões de Wilders sobre o islã.

Pouco depois de o deputado holandês disponibilizar “Fitna” (que significa caos ou confronto, em árabe) na internet, o chefe de Governo rejeitou a visão do parlamentar de “equiparar o islã a atos violentos”.

“Acho que foi muito bom que tenhamos nos preparado para a (divulgação do) filme e as reações moderadas se devem também a que estivemos meses (trabalhando) nisso”, ressaltou hoje a ministra de Interior, Guusje ter Horst, que destacou que a situação na Holanda é de “absoluta calma”.

A exibição do curta-metragem preocupava as autoridades holandesas, que temiam que aparecessem imagens como a de o Corão sendo queimado ou rasgado, o que significaria uma ofensa para os muçulmanos.

Mas isso não ocorreu, já que o filme é uma colagem de imagens dos atentados islâmicos de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas e o Pentágono, dos ataques de 11 de março de 2004 aos trens urbanos de Madri e das ações de 7 de julho de 2005 no sistema de metrô de Londres.

Entre elas, Wilders intercala trechos do Corão que incitam à luta contra os não crentes e declarações de imames radicais. O deputado, no entanto, não exibiu imagens inéditas.

O curta começa com a charge de Maomé com um turbante-bomba na cabeça, do caricaturista dinamarquês Kurt Westergaard, que já entrou com um processo contra Wilders por usá-la sem autorização.

O deputado holandês criticou hoje o alarmismo do Governo do país e elogiou os muçulmanos na Holanda por seus pedidos de calma, tanto por parte de organizações de turcos e marroquinos como pelos imames.

A principal resposta da comunidade muçulmana holandesa – formada em 21% por turcos e em 19% por marroquinos – foi anunciar que entraria com ações judiciais contra Wilders.

Em resposta a um processo apresentado pela Federação Islamita Holandesa (NIF) antes da exibição do filme, um juizado de Haia se pronunciará em 7 de abril sobre as idéias de Wilders em relação aos muçulmanos.

Hoje, a Federação de Muçulmanos Turcos na Holanda antecipou que entrará com um processo de urgência para pedir uma multa de 5 mil euros a Wilders que será aplicada cada vez que se ele se referir ao Corão como um livro fascista.

O presidente da Cúpula Nacional de Marroquinos holandeses, Mohammed Rabbae, disse que estuda denunciar o deputado por dizer que o islã quer destruir a civilização ocidental.

Segundo Rabbae, esta “mensagem não só semeia medo, mas também ódio”, e acrescentou que “Wilders manipulou o Corão em seu filme. (…) Destacou os aspectos negativos e, além disso, suas traduções não são corretas”.

O rapper holandês Salah Edin também quer levar o político aos tribunais por incluir no filme uma imagem sua, quando fala do assassino do cineasta Theo van Gogh.

“Tem que ficar claro para Wilders que ele não pode usar a foto de alguém sem sua permissão”, ressaltou o músico.

Fora da Holanda, a União Européia (UE) criticou a produção do deputado, ao qual acusou de “avivar o ódio” e lembrando que “a tolerância e o respeito mútuo são valores universais que devem ser defendidos”, de acordo com uma declaração da Presidência eslovena do bloco.

O Conselho da Europa condenou o curta, pois é uma “manipulação que explora a ignorância, o preconceito e o medo” e, acrescenta, “faz o jogo dos extremistas”.

As reações mais negativas ao “Fitna” vieram do Irã, onde foi pedido que o filme saia do ar, assim como da Indonésia, que qualificou o documentário de “racista”, e da Jordânia, onde alguns veículos de comunicação iniciarão uma campanha de boicote aos produtos holandeses.

O Governo do Paquistão condenou hoje o filme de Wilders, porque “ofende os sentimentos dos muçulmanos de todo o mundo” e acrescenta que o insulto a outras religiões “nunca pode ser justificado sob o amparo da liberdade de expressão”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também criticou hoje o curta-metragem.

A porta-voz da organização, Michèle Montas, disse que Ban considera “ofensiva” a fita e assegurou que, neste caso, “o assunto em jogo não é a liberdade de expressão”.

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