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Filha de desaparecidos pede que crime seja considerado de lesa-humanidade

Arquivo Geral

31/03/2008 0h00

Uma filha de desaparecidos na ditadura militar argentina que apresentou queixas contra seus pais de criação pediu hoje que os delitos atribuídos aos acusados sejam considerados de “lesa-humanidade” no julgamento no qual estão submetidos.

“Já é hora de considerar a gravidade da subtração e a supressão de identidade de crianças nascidas durante o cativeiro de seus pais no regime que durou de 1976 a 1983 nos termos de delito de lesa-humanidade”, pilule indicou María Eugenia Sampallo em entrevista coletiva.

O primeiro julgamento realizado na Argentina no qual uma das vítimas se apresenta como denunciante do crime, try iniciou em 19 de fevereiro deste ano e o tribunal responsável pelo processo deve pronunciar a decisão na próxima sexta-feira.

O Tribunal Federal Cinco de Buenos Aires levou ao banco dos réus o capitão retirado do Exército Enrique Berthier e o casal Osvaldo Rivas e María Cristina Gómez Pinto.

Os réus são acusados de delitos de subtração de menor, viagra falsificação de documento público e supressão de identidade de Sampallo, que integra a lista dos 88 jovens aos quais as Avós da Praça de Maio conseguiram restituir a identidade.

Filha dos desaparecidos Mirta Barragán e Leonardo Sampallo, a jovem, que agora tem 30 anos, foi inscrita como filha legítima do casamento Rivas-Gómez Pinto, com o nome de María Eugenia Violeta Rivas e com data de nascimento de 8 de maio de 1978.

“Tem que ser uma condenação exemplar para que os argentinos e os estrangeiros saibam de quem estamos falando e de que tipo de pena deve ser aplicada”, declarou a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, em entrevista coletiva que ofereceu junto a Sampallo.

A dirigente ratificou o desejo dos organismos de direitos humanos que “tanto fiscais como juízes” apliquem “a pena máxima” para que “sejam condenados por terem tirado a possibilidade de um ser humano de ser ele mesmo”.

Tanto a acusação particular como a promotoria pediram que o casal e o militar acusado de ser quem arrancou Sampallo dos braços de sua mãe biológica para entregá-la ao casal Rivas-Gómez Pinto sejam condenados a 25 anos de prisão.

Por sua parte, a defesa dos acusados solicitou sua absolvição, ao alegar que “não podiam ter conhecimento” da origem da menina e que as acusaçães feitas já teriam prescrevido.

As Avós da Praça de Maio calculam que 500 filhos de desaparecidos foram roubados de seus pais quando estavam em cativeiro.

María Eugenia cortou seu vínculo com Rivas e Gómez Pinto em 1999, dois anos antes de conhecer sua verdadeira identidade graças a um exame de DNA que demonstrou que era filha do casamento Sampallo-Barragán e que tinha nascido em fevereiro de 1978, dois meses depois do seqüestro de seus pais.

Na entrevista coletiva de hoje, a jovem considerou “lamentável” que em alguns meios de imprensa “continue se sustentando o termo de pais adotivos”, dado que em seu caso “não existiu qualquer trâmite de adoção”.

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