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Mundo

Fidel fala pela primeira vez sobre possibilidade de deixar poder

Arquivo Geral

18/12/2007 0h00

O líder cubano, troche Fidel Castro, que não aparece em público há 16 meses, falou pela primeira vez da possibilidade de deixar o poder para uma geração mais jovem.

“Meu dever elementar não é me agarrar a cargos e muito menos obstruir a passagem para pessoas mais jovens, mas fornecer experiências e idéias cujo modesto valor provém da época excepcional que vivi”, afirmou Fidel na segunda-feira.

O dirigente cubano, de 81 anos, que se recupera de uma grave doença intestinal desde julho de 2006, fez essa declaração em uma carta que foi lida no programa “Mesa Redonda” da televisão cubana.

A declaração estava no final do texto no qual Fidel comentava a recente Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Bali. Segundo o apresentador Randy Alonso, a carta chegou um pouco antes do começo do programa.

O texto foi lido na presença do chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, que participava do programa “Mesa Redonda”.

Esta é a primeira declaração de Fidel em que faz referência à possibilidade de renunciar definitivamente a algum de seus poderes desde que passou temporariamente a chefia do Estado a seu irmão Raúl, cinco anos mais novo que ele, em 31 de julho de 2006.

Cuba terá eleições parlamentares em 20 de janeiro, para indicar os membros da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento).

Em até 45 dias, os eleitos deverão escolher os 31 membros do Conselho de Estado, a mais alta autoridade do Executivo na ilha.

O Conselho de Estado foi presidido por Fidel Castro desde sua criação, em 1976, após a revolução comunista que liderou no país.

O dia 5 de março, quando deve culminar o novo processo político, é decisivo para confirmar a continuidade de Fidel como líder da nação.

No meio deste processo, o líder cubano já foi designado como candidato por Santiago de Cuba (leste) para as eleições parlamentares.

Essa nomeação não implica na renovação automática de seu mandato como presidente cubano, cargo que ocupou por cinco décadas. O regime de Cuba tem agora outras possibilidades para escolher seu líder.

Desde o início da doença e após ceder o poder ao irmão, Fidel fez vários textos sobre temas atuais, como a declaração a respeito da conferência de Bali.

No entanto, nunca tinha mencionado uma possível renúncia definitiva ou que deixaria algumas de suas funções.

“Penso como (Oscar) Niemeyer, que é preciso ser conseqüente até o final”, acrescentou Fidel em outro momento de sua mensagem, em referência ao arquiteto brasileiro, que acaba de completar 100 anos sem deixar de trabalhar.

“Não tenho ilusões, minha mais profunda convicção é de que as respostas aos problemas atuais da sociedade cubana – com um grau educacional alto e quase um milhão de graduados universitários – precisam de mais variantes de respostas para cada problema concreto que os que existem em um tabuleiro de xadrez”, afirmou.

“Nem um só detalhe pode ser ignorado, e não se trata de um caminho fácil. A inteligência do ser humano em uma sociedade revolucionária tem que prevalecer sobre seus instintos”, disse o chefe da revolução cubana.

Na mensagem, Fidel não falou de seu futuro nem de seu estado de saúde.

As últimas imagens de Fidel tinham sido divulgadas no programa “Alô Presidente” que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, realizou em Santa Clara (centro de Cuba) em meados de outubro.

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