O líder cubano Fidel Castro afirmou que está “afastado” de todos os cargos e destacou que seu irmão Raúl Castro, salve o presidente, é quem tem todas as prerrogativas para dirigir o país em um novo artigo de reflexões publicado hoje na imprensa oficial.
“Reafirmo estar afastado de todos os cargos, como disse na mensagem ao povo em 18 de fevereiro”, escreve Fidel em uma mensagem intitulada “Espero não ter do que me envergonhar”, em referência ao artigo no qual anunciou sua renúncia de continuar no poder em Cuba.
“Como no mundo das incertezas e protocolos o que conta é a chefia do Estado e a organização partidária é considerada um intruso indesejável, e, portanto, um princípio interno, deveria bastar saber que Raúl conta com todas as faculdades e prerrogativas legais e constitucionais para dirigir o país”, afirmou.
Fidel se mantém como primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, a quem constitucionalmente corresponde organizar e orientar “os esforços comuns para os altos fins da construção do socialismo e o avanço em direção à sociedade comunista”.
O líder cubano se referiu à designação de Raúl Castro como presidente de Cuba no domingo após a instalação da Assembléia Nacional e afirmou que as “palavras inteligentes e serenas” de seu irmão e “seus argumentos sinceros desfizeram o enredo de ilusões criadas em torno de Cuba”.
Além disso, afirmou que o cargo de primeiro vice-presidente ostentado por Raúl Castro não foi delegado a ele, mas obtido por meio de consulta.
“Não foi porque eu exigi a consulta, ela foi decisão de Raúl e dos principais dirigentes do país. Para muitos, Cuba era como uma caldeira cheia de vapor a ponto de explodir”, afirmou o líder cubano.
Fidel voltou a falar do Alto Representante da União Européia (UE) para Política Externa e de Segurança Comum, Javier Solana, que na última segunda expressou sua dúvida de que Cuba tenha iniciado uma transição política e admitiu que esperava “melhores notícias” sobre a sucessão de Fidel Castro.
O líder cubano lembra que em outro artigo seu, publicado em 22 de fevereiro, descreveu Solana como “um ilustríssimo personagem espanhol, antes Ministro de Cultura, impecável socialista hoje e, há pouco tempo, porta-voz das armas e da guerra”.
Naquele artigo, tinha afirmado que Solana era “a síntese da injustiça pura”.
“Falou como se vivêssemos na Espanha de Francisco Franco, estreito aliado dos Estados Unidos e não em Cuba”, disse Fidel e acrescentou: “É impossível calá-lo”.
Afirmou que os “valores humanitários, educacionais e artísticos alcançados pela Revolução com recursos próprios em Cuba não significam nada” para “muitos hierarcas do mundo capitalista globalizado” caso a ilha “não se submeta à tirania do livre mercado”.