O ex-presidente de Cuba Fidel Castro afirmou nesta quarta-feira que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, pôs os Estados Unidos moralmente “de joelhos” e lançou duras críticas contra parte da imprensa que publicou os documentos filtrados para usá-los “para atacar os países mais revolucionários”.
O líder cubano se refere ao caso Wikileaks no último de seus artigos intitulado “O Império no banco dos réus”, divulgados nesta quarta por jornais oficiais cubanos.
No texto, Fidel qualifica de “audaz desafio” e “contundente golpe ao império” a ação do fundador da organização ao divulgar milhares de documentos diplomatas confidenciais.
O líder destaca também que pouco se conhece de Assange e nada de suas motivações ou dos detalhes da estratagema do Wikileaks.
“Só se sabe que moralmente os puseram de joelhos (os Estados Unidos)”, escreveu o ex-presidente cubano, que lembra que “ninguém se atreveu a refutar as verdades contidas nas mensagens secretas divulgadas”.
Fidel aproveita também para criticar o uso que estão fazendo das mensagens algumas das “transnacionais da informação” às que Wikileaks distribuiu os documentos e que agora possuem o “monopólio de muitas notícias”.
Castro tacha de “mercenárias, reacionárias e pró fascistas” as publicações “Prisa”, da Espanha, e “Der Spiegel”, da Alemanha, que, segundo sua opinião, usam as mensagens “para atacar os países mais revolucionários”.
Por fim, Fidel se refere às ações judiciais da Suécia contra Assange, para advertir que sobre o “Governo direitista” desse país e “sobre a máfia de guerra da Otan, que tanto gostam de invocar a liberdade de imprensa e os direitos humanos, cairá a responsabilidade que se possa conhecer ou não a verdade sobre a cínica política dos Estados Unidos e de seus aliados”.
“As ideias podem ser mais poderosas que as armas nucleares” sentencia Fidel no final de seu artigo.