Após uma semana de silêncio, physician Fidel Castro comenta neste domingo em sua coluna de opinião os documentos divulgados pela CIA (serviço de inteligência americano) e afirma que seu objetivo é demonstrar o “imenso grau de hipocrisia” e a “total ausência de ética” do governo dos Estados Unidos.
“Meu objetivo não é reforçar conceitos mencionados em outras reflexões. Partindo de fatos simples, case meu propósito é demonstrar o imenso grau de hipocrisia e a total ausência de ética que caracterizam as ações, caóticas por natureza, do governo dos EUA”, afirma o líder cubano no extenso artigo de sua série Reflexões, publicada pelo jornal oficial Juventud Rebelde.
Há quase um ano Fidel se recupera de uma doença intestinal e desde o fim de março publica na imprensa local artigos chamados de Reflexões, nos quais abordou temas internacionais e dedicou a maioria a criticar o Governo de Washington e seu atual presidente, George W. Bush.
No novo artigo, com o título de A tirania mundial, Castro dedica um grande espaço à reunião que teve em abril de 1959 com o então vice-presidente dos EUA, Richard Nixon, numa visita ao território americano, e afirma que Nixon o tratou como “um ignorante em matéria de economia”.
“Meu único reparo ao falar com Nixon era a repugnância a explicar com franqueza meu pensamento a um vice-presidente e provável futuro Presidente dos Estados Unidos, especialista em concepções econômicas e métodos imperiais de Governo nos quais em alguns momento eu não acreditava”, acrescentou.
Castro relembra o encontro: “Quando Nixon começava a falar, não havia quem o parasse. Tinha o hábito de dar sermões aos líderes latino-americanos. Não levava anotações do que pretendia dizer, não anotava o que dizia. Respondia a perguntas que não eram feitas”.
“Incluía temas apenas a partir das opiniões prévias que tinha sobre o interlocutor. Nem um aluno do primário espera receber tantas aulas juntas sobre democracia, anti-comunismo e outras matérias na arte de governar”, afirma.
Com relação a sua opinião sobre a personalidade de Nixon, conclui: “Era fanático pelo capitalismo desenvolvido e por seu domínio do mundo por direito natural. Ele idealizava o sistema. Não aceitava outra coisa, nem existia a menor possibilidade de se comunicar com ele”.
Fidel também comenta alguns dos mais de 600 projetos da CIA para tentar matá-lo, inclusive antes da vitória na revolução que levou o líder cubano ao poder em 1959, quando ainda participava da guerrilha da Sierra Maestra.
Entre eles, comenta uma tentativa de mafiosos vinculados à CIA de envenená-lo em 1960. O encarregado da missão seria Juan Orta, um funcionário do governo cubano que tinha acesso ao escritório do presidente e a quem Fidel chama de “traidor”.