O islâmico Hamas e nacionalista Fatah estariam mantendo contatos secretos para resolver a crise iniciada em junho, troche quando o primeiro grupo pegou em armas para tomar o controle da Faixa de Gaza e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, destituiu o então primeiro-ministro Ismail Haniyeh.
“Há canais secretos de diálogo entre o Fatah e o Hamas” para a solução da crise, afirmou hoje Ahmed Youssef, assessor do deposto primeiro-ministro da ANP.
Segundo ele, as conversas ocorrem num país árabe vizinho e abordam uma série de minutas apresentadas por Governos árabes, grupos palestinos e outros interessados.
Youssef não quis dar outros detalhes sobre as negociações, as primeiras anunciadas à imprensa depois que Abbas condicionou todo e qualquer contato com o Hamas a um pedido de desculpas aos palestinos pelo “golpe” de junho.
Nesse mês, a força oficial do Hamas em Gaza e sua milícia se levantaram contra a autoridade do presidente da ANP e os órgãos de segurança deste. O conflito durou seis dias e todas as instalações da Autoridade Nacional foram ocupadas.
Desde então, o Hamas controla a Faixa de Gaza, embora, oficialmente, Haniyeh tenha sido destituído do cargo, e o Fatah governe a Cisjordânia por meio de um novo Governo, dirigido pelo atual primeiro-ministro da entidade palestina, Salam Fayyad.
Segundo Youssef, “as minutas para a reconciliação foram apresentadas recentemente aos líderes do Hamas e do Fatah para que o diálogo entre eles seja retomado”.
Um dos dirigentes do Fatah em Ramala, o deputado progressista Qadura Fares, disse que o diálogo com o Hamas pode ser retomado oficialmente depois de novembro, após a conferência regional de paz convocada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
“A opção de diálogo entre os dois movimentos é certa, mas acho que está sendo retardada para até depois da conferência”, afirmou Fares, que não confirmou nem desmentiu a possibilidade de negociações secretas.
No encontro internacional, que ainda não teve sua sede definida, Abbas espera obter de Israel uma declaração de princípios que estabeleça as datas para a criação de um Estado palestino.
Fares disse que o Fatah deverá rever sua postura de intransigência para com o Hamas se a cúpula fracassar e não for fixado um prazo para a criação do Estado independente.
“Mas se houver um avanço, o Hamas precisará reconsiderar suas posições e ser mais realista ao enfrentar” as mudanças políticas, ressaltou.