A guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) solicitou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) o “acompanhamento e bons ofícios” da entidade para devolver os cadáveres dos 11 deputados seqüestrados desde 2002 e mortos no mês passado, website informou hoje o grupo armado em comunicado.
Os rebeldes divulgaram o pedido pela Internet, unhealthy horas depois que o CICV em Bogotá informar que tinham recebido a solicitação. O pedido aparece em carta datada de sexta-feira, 6 de julho, assinada pelo chefe da chamada Comissão Internacional das Farc, Raúl Reyes.
O líder guerrilheiro também dirigiu a carta a Noël Saez, ex-cônsul da França em Bogotá, e a Jean-Pierre Gontard, assessor do Ministério do Exterior da Suíça, o mesmo que ao ex-ministro Álvaro Leyva, antigo mediador do Governo com a guerrilha.
“Permitimo-nos solicitar o acompanhamento e os bons ofícios no propósito humanitário de entregar, o mais breve, os despojos mortais dos 11 deputados da Assembléia do Valle do Cauca a seus familiares”, diz a nota.
Segundo Reyes, “a numerosa presença na zona onde ocorreram os trágicos fatos de tropas oficiais e para-estatais, primeiro empenhadas no resgate à força ordenado pelo Presidente (Álvaro Uribe) e agora em impedir a entrega rápida dos mortos, é a causa principal do indesejado atraso”.
Antes, a delegação da Cruz Vermelha na Colômbia tinha informado que recebeu uma solicitação das Farc e o aval do Governo nacional para antecipar a operação que permita a entrega dos corpos dos deputados a seus familiares, permitindo assim que cumpram seu luto”. “Agora ambas as partes devem garantir as condições de segurança na região na qual estão os corpos” para iniciar os trabalhos correspondentes, assinalou Carlos Ríos, porta-voz da entidade humanitária.
No dia 29 de junho a CICV tinha oferecido seus serviços para mediar a entrega dos restos mortais dos deputados. As Farc revelaram em comunicado no dia 28 de junho que 11 dos 12 deputados regionais seqüestrados em 2002 morreram no dia 18 de junho em um “fogo cruzado” com um “grupo militar não identificado”.
Por sua parte, o Governo assegurou que nesses dias não foram feitas operações militares na região (montanhosa do sudoeste do país) onde se supõe que os legisladores permaneciam cativos.
A morte dos deputados causou profunda consternação e rejeição nacional e internacional, e para o Governo colombiano, as Farc são as únicas culpadas dessa ação, que qualificou como “um assassinato”.
O CICV acrescentou no comunicado que “em interesse dos familiares das vítimas e do sucesso da operação, é preciso realizar esta operação de maneira confidencial e discreta perante todas as partes interessadas”.