O presidente da Colômbia, price buy Álvaro Uribe, denunciou hoje que guerrilheiros das Farc ligaram para os familiares dos deputados do departamento (estado) de Valle del Cauca, seqüestrados em 2002, para informar que tinham assassinado os políticos.
Uribe disse durante um fórum sobre serviços públicos em Cartagena (norte) que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) “em forma desafiante, ligaram para familiares dos deputados para dizer que tinham matado eles”.
Esta denúncia, que segundo o presidente foi transmitida ao governador de Valle del Cauca, Angelino Garzón, põe em dúvida a versão anunciada na quinta-feira pelas Farc de que os 11 deputados tinham morrido como resultado de um suposto “fogo cruzado” no dia 18 de junho.
Uribe fez a declaração ontem à noite, quando esteve reunido como os parentes das vítimas em Cali (capital de Valle del Cauca).
“Quando eu cheguei a Cali soube da informação”, disse o chefe de Estado, acrescentando que o alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, também ficou sabendo da notícia.
Uribe assinalou que os parentes lhe contaram que os deputados estavam separados por grupos durante seu seqüestro, o que contradiz a versão dos guerrilheiros, divulgada pela Internet, que todos morreram no “fogo cruzado”.
Qualificou de novo como uma “infâmia” o fato de que o porta-voz das Farc, Raúl Reyes, tivesse se reunido com delegados da França, Espanha e Suíça, os três países europeus que apóiam o acordo humanitário para a libertação dos reféns, no dia 18 de junho, dia da morte dos 11 deputados.
As Farc seqüestraram 12 legisladores regionais em 11 de abril de 2002 em um ataque à sede da assembléia departamental e os incluíram em uma lista de 56 políticos, soldados, policiais e cidadãos americanos que querem trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos.
Para aceitar tal intercâmbio com os “passíveis de troca”, que após a morte dos 11 deputados agora são 45, o grupo insurgente exige a desmilitarização de dois municípios de Valle del Cauca – Florida e Pradera -, mas Uribe reiterou hoje que não autorizará a retirada das tropas.
O governante também contou aos presentes à cerimônia em Cartagena que falou hoje com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, a quem pediu ajuda para a recuperação dos cadáveres dos deputados.
Na conversa telefônica, o ex-ministro chileno, “que tanto nos ajudou”, disse que a OEA “efetuará uma liderança internacional” para que os corpos das vítimas apareçam, apontou.
Além disso, assinalou, “o Governo pediu que, quando os corpos forem encontrados, uma comissão legista internacional seja integrada para que diga ao país e ao mundo como este crime atroz de lesa-humanidade aconteceu”.
Ao negar mais uma vez que o Exército tenha realizado operações na região na qual se presume que os reféns estavam, Uribe assegurou que “o Governo foi surpreendido, como todo mundo, pela notícia na manhã de ontem”.
O presidente reiterou que o Governo colombiano “teve toda a disposição de buscar um acordo humanitário, mas sempre e quando forem cumpridos dois requisitos que não podem ser mexidos”, que não haja desmilitarização e que os rebeldes que sejam libertados não voltem a cometer delitos.
Lembrou, além disso, que ordenou a libertação de 150 guerrilheiros, como gesto unilateral, entre eles Rodrigo Granda, o chamado “chanceler das Farc”, que agora está em Cuba.
A libertação de Granda foi solicitada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, pelo interesse de seu Governo na ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa.