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Mundo

FAO defende melhora dos meios de produção para agricultores pobres

Arquivo Geral

23/04/2008 0h00

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), approved Jacques Diouf, defendeu hoje que os agricultores pobres tenham acesso aos meios de produção necessários para que a crise alimentícia não se agrave no próximo ano.


Diouf lembrou em entrevista coletiva em Paris que a FAO se antecipou ao problema de produção atual, alertou sobre uma crise agrícola e, em dezembro, estipulou em US$ 1,7 bilhão o investimento necessário para que os países pobres tivessem meios de produção adequados para a colheita de março passado.


“Estamos em abril”, lembrou o diretor da FAO, acrescentando que a escalada de preços dos alimentos acabou gerando uma crise que produziu distúrbios violentos em vários países.


Diouf insistiu que o papel da organização que dirige consiste em proporcionar estudos, análise, estatísticas e documentos científicos e em reunir os dirigentes dos Governos para que eles tomem as decisões. “Sabemos o que temos que fazer. Só falta vontade política e recursos”, disse o secretário-geral da FAO.


Perguntado pela imprensa sobre os biocombustíveis, disse que é necessário estudar cada um em particular, em função de sua origem, rentabilidade energética, da quantidade de água necessária e da política que cada país aplica em subsídios, entre outros pontos.


Afirmou que, sem analisar todas estas questões uma a uma, “não é possível dizer que se deixe de utilizar um tipo de biocarburante”.


“E mesmo se disséssemos, ninguém nos escutaria, porque os países em questão têm seus interesses”, disse.


Por outro lado, Diouf lamentou que exista uma “liberalização sem igualdade” na agricultura, em um contexto no qual os “países ricos” destinam US$ 1 bilhão por dia para subsídios agrícolas.


“Os problemas mundiais não serão solucionados se cada um se prender aos interesses nacionais”, acrescentou.


Defendeu o direito dos agricultores dos países desenvolvidos “a produzir para satisfazer a demanda de uma população que passará de seis bilhões para nove bilhões” e afirmou que é preciso “ter inteligência para encontrar políticas que não prejudiquem os agricultores dos países pobres”.


Na terça-feira, Diouf se reuniu com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que confirmou sua participação na cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que acontecerá em Roma, sede do órgão, entre 3 e 5 de junho.


O Palácio do Eliseu anunciou ainda que a França destinará um bilhão de euros em cinco anos (entre 2008 e 2012) para ajudar a desenvolver a agricultura da África, dias depois de Sarkozy ter anunciado que seu país duplicará a ajuda alimentícia em 2008 para 60 milhões de euros, diante da crise de alimentos em países pobres.


 

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