A família do ex-ditador líbio Muammar Kadafi anunciou nesta quarta-feira (26) que processará a Otan por “crimes de guerra” perante o Tribunal Penal Internacional (TPI).
O advogado da família, Marcel Ceccaldi, declarou à emissora de rádio francesa “Europe 1” que “foram os helicópteros da Otan que dispararam sobre o comboio” no qual se encontrava Kadafi, que morreu posteriormente.
“Foi portanto uma operação homicida programada pela Otan”, continuou o advogado, acrescentando que a família considera que o corpo de Kadafi foi maltratado.
“Seu corpo foi profanado e a profanação é o selo dos islamitas para que aquele que morreu não possa chegar ao paraíso” comentou o advogado.
Kadafi, que morreu na quinta-feira passada supostamente nas mãos de forças revolucionárias em Sirte, foi enterrado ontem no deserto líbio.
A morte de Kadafi, que abriu o caminho para a proclamação da libertação do país pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) no sábado passado, provocou várias dúvidas, especialmente entre a comunidade internacional.
Vários vídeos divulgados pela internet mostraram o antigo líder líbio ferido, mas vivo, no momento de sua captura, além de outras imagens nas quais é golpeado e humilhado, antes de morrer supostamente nas mãos dos milicianos em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas.
O legista que examinou seu corpo para recolher amostras de DNA afirmou que Kadafi recebeu dois tiros, um no estômago e outro na têmpora, que foi o que provocou sua morte.
O presidente do CNT, Mustafá Abdel Jalil, anunciou a criação de uma comissão para investigar as circunstâncias da morte de Kadafi.