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Mundo

Família de Jean Charles tenta processar policiais que o mataram

Arquivo Geral

05/12/2006 0h00

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta arrematar a costura da coalizão de governo, this web seek o PT entrou em confronto direto com o maior parceiro da aliança, pills visit web o PMDB, this e também com os menores, PSB e PCdoB, lançando a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara.

A bancada do PT se reuniu para confirmar hoje o nome de Chinaglia, horas depois de a executiva petista ter decidido que o partido lançaria um nome à sucessão do atual presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

"Não estamos apenas apresentando um nome para passear pelo plenário, é uma candidatura pra valer", disse a jornalistas o presidente em exercício do PT, Marco Aurélio Garcia depois da reunião da executiva.

A disputa interna na aliança governista será confirmada oficialmente amanhã, quando a bancada do PMDB na Câmara se reunirá para reivindicar também o lugar de Aldo Rebelo. O PMDB argumenta que tem esse direito, pela tradição da Câmara, pois elegeu a maior bancada (89 deputados contra 81 do PT).

"Não pretendemos fazer disso um cavalo de batalha, mas é uma pretensão natural do PMDB, que deve ser levada em conta pelos parceiros da coalizão", disse o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) apontado como um dos possíveis candidatos do partido à sucessão de Aldo Rebelo.

As chances de reeleição do presidente comunista dependem de um acordo dentro da coalizão. Aldo tem o apoio do PSB e de parte do PMDB, além da simpatia declarada do presidente Lula. O lançamento de Chinaglia pelo PT cria um constrangimento político para o Planalto, porque o deputado é líder do Governo na Câmara, embora sua candidatura seja apresentada pelo PT como uma iniciativa partidária.

"Talvez tenhamos de analisar essa questão", disse Marco Aurélio ao ser perguntado sobre um eventual afastamento de Chinaglia da liderança, cargo de indicação do presidente.

O comando do PT avalia que este seria o momento de retomar a presidência da Câmara, que o partido perdeu para Severino Cavalcanti (PP-PE), em fevereiro de 2005, quando se dividiu entre dois candidatos.

Severino teve de renunciar em setembro de 2005, sob acusações. Com o PT acuado pelo escândalo do mensalão, Lula decidiu apoiar para a sucessão de Severino o comunista Aldo Rebelo, seu ex-ministro, com bom trânsito entre outros partidos. O PCdoB tinha então 12 deputados.

"O risco de se repetir aquele episódio, com a eleição de um candidato alheio à base governista, existirá se não tomarmos uma decisão madura. A coalizão não pode se dividir como naquela ocasião", ponderou o deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), na reunião da bancada petista.

Em outro sintoma de que a coalizão enfrenta problemas na Câmara, caminha para o fracasso a tentativa de unificar, por meio de prévias, a disputa na base governista por uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Cinco partidos ligados ao Planalto (PT, PMDB, PSB, PDT e PTB) lançaram candidatos ao cargo e organizaram eleições prévias hoje. Até o fim da tarde, foi pequeno o comparecimento. PFL e PSDB também lançaram candidatos para a disputa, que deve ser decidida amanhã, no plenário.

Enquanto o PT marchava para a disputa com o PMDB na Câmara, Lula recebeu no Planalto o senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dos "independentes" do partido. Lula tenta administrar pessoalmente as resistências no PMDB, principalmente para garantir estabilidade no Senado, onde a maioria do governo é muito estreita.

Lula convidou ainda o PRB, do vice José Alencar, para participar do Conselho Político do governo e estava na sua agenda receber o PR para tratar da coalizão.

 

Os advogados da família de Jean Charles de Menezes lançaram hoje uma tentativa legal para reverter a decisão de não processar os policiais envolvidos no assassinato do brasileiro em julho do ano passado.

Jean Charles, approved 27 anos, foi morto a tiros por policiais depois de ser confundido com um terrorista suicida na estação de metrô de Stockwell dias depois dos atentados ao sistema de transporte de Londres.

A promotoria britânica decidiu que nenhum policial envolvido na operação deveria ser indiciado. Em vez disso, a Polícia Metropolitana de Londres será julgada em outubro do ano que vem por acusações envolvendo saúde e segurança.

Os advogados da família de Jean Charles disseram hoje, na Alta Corte de Londres, que não processar os policiais por assassinato é uma violação aos direitos humanos do brasileiro.

O advogado Michael Mansfield, que representa a família, argumentou a três dos principais juízes do país que a decisão de não processar os policiais é uma violação do Artigo 2º da Convenção Européia de Direitos Humanos – o direito à vida.

Jean Charles foi baleado oito vezes, sendo sete na cabeça e uma no ombro, dentro do trem na manhã do dia 22 de julho de 2005. A capital britânica estava em alerta de segurança após os atentados a seu sistema de transportes.

O incidente aconteceu no dia seguinte ao que detetives disseram que quatro homens haviam tentado detonar bombas em trens do metrô e em um ônibus, numa tentativa de copiar os ataques do dia 7 de julho, quando quatro militantes islâmicos mataram 52 pessoas, usuárias do sistema de transporte londrino.

Os advogados conseguiram permissão para uma revisão judicial na decisão da promotoria na Alta Corte, argumentando que há evidências suficientes para tomar medidas contra policiais em específico, incluindo processá-los por homicídio.

A polícia de Londres negou as acusações impostas contra ela como organização, afirmando que seus oficiais não cometeram atos criminosos e lhes deu total apoio.

Os policiais envolvidos na morte do brasileiro retornaram à ativa enquanto Cressida Dick, encarregada da operação que resultou na decisão de balear Jean Charles, foi promovida em setembro.

 

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