A fábrica de celulose construída pela empresa finlandesa Botnia no oeste uruguaio começou a funcionar, information pills horas depois de fracassarem as negociações sobre esta questão entre Uruguai e Argentina na cúpula ibero-americana de Santiago.
A fábrica acendeu as caldeiras às 6h (mesmo horário de Brasília) e começou a funcionar.
A decisão de permitir o funcionamento das caldeiras da fábrica de processamento de celulose foi dada pelo próprio presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, no Chile, na noite de quinta-feira.
Na quinta-feira, os chanceleres do Uruguai, Reinaldo Gargano, e da Argentina, Jorge Taiana, se reuniram em paralelo à 17ª Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo, sob mediação da Espanha, representada pelo ministro de Exteriores, Miguel Ángel Moratinos.
A imprensa uruguaia destacou hoje em manchetes o fracasso das negociações, o que levou à ordem para o início do funcionamento da fábrica de celulose, construída às margens do rio Uruguai.
Segundo o ministro da Habitação e Meio Ambiente uruguaio, Mariano Arana, o Governo de Montevidéu considerou razoável adotar a decisão de dar autorização ambiental de operação à Botnia, que foi informada imediatamente.
Em Santiago, o ministro de Exteriores uruguaio tinha afirmado na noite de quinta-feira que o diálogo “não teve resultados”, devido à manutenção do bloqueio por ativistas argentinos da ponte que une os dois países na localidade de Fray Bentos, no Uruguai, onde está localizada a fábrica.
A Argentina denunciou internacionalmente o Uruguai pela construção da fábrica de celulose, que, segundo o Governo de Buenos Aires, pode ser altamente poluente para a região.
Antes de viajar para Santiago, o presidente do Uruguai tinha indicado que “não há negociação possível” com a Argentina sobre a questão da fábrica de celulose “enquanto as pontes internacionais estiverem bloqueadas”.
Grupos de moradores da localidade argentina de Entre Ríos bloqueiam há quase dois anos a ponte que liga a cidade de Gualeguaychú, em seu país, com Fray Bentos.
Eles também bloqueiam periodicamente a passagem da ponte que liga as cidades argentinas de Colón e Concordia com as uruguaias de Paysandu e Salto, em protesto contra a construção da fábrica de celulose da Botnia.
O Governo da Argentina disse hoje que a atitude do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, de autorizar a entrada em funcionamento da fábrica de celulose da finlandesa Botnia é “próxima do cinismo”.
“É incompreensível a atitude de Tabaré, abraçar o presidente (da Argentina, Néstor Kirchner) e ao mesmo tempo estar fazendo isto”, declarou o chefe de Gabinete argentino, Alberto Fernández.
Em 2006, a Argentina recorreu à Corte Internacional de Justiça de Haia para denunciar o Uruguai por ter violado o tratado bilateral que regulamenta a administração compartilhada do rio Uruguai, ao autorizar unilateralmente o projeto industrial.