Atenas amanheceu nesta quinta-feira sobressaltada pela explosão de uma moto-bomba diante de um tribunal, um atentado que ocasionou inúmeros danos materiais, mas não deixou feridos, já que a região foi evacuada a tempo.
O atentado aconteceu às 8h20 no horário local (4h20 de Brasília) nos arredores da sede de um tribunal de Atenas, em uma rua muito movimentada e perto de uma estação de metrô.
As investigações da Polícia estão em torno dos integrantes da organização “Conspiração de Núcleos de Fogo”, que no passado realizou atentados similares contra delegacias, igrejas, bancos, entre outros alvos.
Um dos principais indícios da autoria do atentado é que ele ocorreu antes do processo que se inicia em 17 de janeiro contra uma dezena de presos pertencentes a este grupo, que pediu aos radicais anarquistas de toda a Europa que intensifiquem suas ações antes dessa data.
A Polícia italiana confirmou na terça-feira que os pacotes-bomba que anarquistas italianos enviaram recentemente a três embaixadas em Roma, deixando dois feridos, foram uma forma de mostrar apoio a seus correligionários gregos presos.
Diante desta situação, as autoridades gregas estão em estado de alerta pelo temor de novos ataques em lugares muito frequentados durante as celebrações de fim de ano.
“Condenamos categoricamente cada ação que sem nenhuma autoridade moral ou popular tenta pôr em interdição a democracia e atemorizar os cidadãos”, afirmou o porta-voz do Governo Yorgos Petalotis em comunicado.
A explosão da moto-bomba incendiou uma dezena de veículos e destroçou a fachada de vidro do tribunal.
Uma ligação telefônica anônima ao jornal ateniense “Elefterotipia” com 40 minutos de antecedência permitiu que as autoridades evacuassem a área a tempo.
Segundo a Polícia, a pessoa que telefonou para o jornal revelou a localização da moto-bomba, estacionada nos arredores do tribunal.
Uma moradora da região declarou à imprensa que sentiu medo: “Ouvimos um barulho que fez o apartamento tremer”.
Outras testemunhas declararam que antes da explosão viram indivíduos com uniformes de policiais estacionarem a moto.
O estrondo causado pela explosão foi sentido inclusive a um quilômetro de distância do local e os bombeiros permanecerão na área durante o resto do dia para retirar os escombros e vidros.
A última onda de atentados ocorreu em novembro, quando 14 pacotes-bomba foram enviados a embaixadas em Atenas e a políticos europeus, o que deixou uma pessoa ferida.
Entre os recentes pacotes-bomba desativados em Roma havia um para a embaixada da Grécia, e nesta quinta-feira a delegação diplomática grega em Buenos Aires foi objeto de um ataque com um coquetel-molotov.
No último ano se multiplicaram as ações terroristas de grupos radicais de esquerda, em meio ao mal-estar social pelos profundos cortes orçamentários do Governo para reduzir o déficit fiscal.
Desde maio, a Grécia se encontra sob supervisão da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que forneceram ao país um empréstimo de 110 bilhões de euros por três anos em troca de drásticas reformas para salvar o país da quebra.