Os veículos militares tomaram as ruas que dão acesso à residência presidencial. A Agência Efe observou que foram deslocados a diferentes pontos da cidade, enquanto aviões caça sobrevoam a capital hondurenha.
Zelaya foi detido na madrugada deste domingo por militares e levado à base da Força Aérea local, informou o secretário particular do governante, Eduardo Enrique Reina.
A detenção ocorreu horas antes do início de uma consulta popular que havia sido convocada e que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Suprema Corte, máxima instância judicial do país.
Reina disse à imprensa local que “com muita preocupação, a Guarda de Honra nos informou que o presidente foi levado pelos militares e conduzido à (base da) Força Aérea”.
Acrescentou que “o fato já foi denunciado à comunidade internacional”, e aproveitou para fazer um apelo ao povo hondurenho e aos políticos para que se “manifestem na defesa da democracia”.
Meios de comunicação locais especulam sobre a possibilidade de o presidente ter sido tirado de Honduras e levado a algum outro país centro-americano.
Nas primeiras horas da manhã em toda a capital ocorreram cortes de energia elétrica, e os canais de TV e de rádio estão tendo suas transmissões interrompidas parcialmente.
Cerca de 300 oficiais rodeiam a residência presidencial em Tegucigalpa, que, no entanto, permanece em clima de relativa tranquilidade.
A recusa das Forças Armadas de colaborar com o presidente na consulta popular convocada para hoje – sobre uma iniciativa de Zelaya de reformar a Constituição – mantinha o país em uma situação de crise política há dias.
Por isso, o presidente destituiu na última quarta-feira o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Romeo Vásquez.
Zelaya disse dois dias depois que Vásquez seguia no comando e que ele mesmo só tinha chegado a anunciar a destituição, sem executá-la.
A consulta impulsionada por Zelaya tinha como objetivo perguntar à população se nas eleições de novembro deveria ser colocada uma urna para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte.
A oposição acredita que a iniciativa tem o propósito de perpetuar o presidente no poder.